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Tudo bom contigo Homero? Um abraço. Acredito que você não está errado no que tange a ideia de fazer acordos informais, mas e depois? Como a direita vai caminhar, se seguirmos por esse caminho, algum dia vamos nos libertar das correntes que nos prendem?

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Olá, Homero. Faz tempo que quero comentar aqui, e nunca dava certo. Olha, eu sei que a única eleição desse ano foi a de SP. Sei que o Brasil passa por eleições de 2 em 2 anos, alternando entre eleições nacionais pra governadores, parlamentares e presidente e eleições pra prefeito de São Paulo. Apesar disso, cometerei o erro de falar sobre o Brasil em geral, como se ele existisse pra além de Sampa.

Concordo totalmente com tua análise de cenário. Só quero acrescentar alguns pontos. Primeiro, acredito que falta à direita pé-na-porta - mas também a alguns da direita pé-no-chão - a noção de que o povo vota com o bolso e com a barriga. E isso não é algo propriamente imoral - é fácil criticar quando vc tá de barriga cheia. O padre Antônio Vieira, no excelente sermão da Epifania, comenta dessa necessidade de alimentar o corpo das pessoas, como se alimenta o espírito. Também Cristo, antes de apresentar aos discípulos a Eucaristia, alimentou-os com o milagre da multiplicação, não deixando que fossem embora com fome. É claro que a pauta dos valores é essencial e a mais importante, mas quem tem boleto atrasado pra pagar não tem tempo de fazer militância.

Além disso, quais são esses valores? A direita tem se prendido muito à liberdade, como o principal dos valores. Mas isto é uma visão liberal, anticristã, principalmente quando não se tem uma noção clara do que seja essa liberdade (leiamos Santo Agostinho a respeito). A esquerda, por exemplo, defende a liberdade de fumar um bagulho, de destroçar bebês no ventre de suas mães, de erigir estátuas ao capiroto em praça pública. Assim como a direita liberal defende a liberdade de o mais rico explorar o mais pobre, o que é proibido em diversas passagens bíblicas. E não é difícil compreender isso, já que esquerda e direita nascem da Revolução Francesa, são duas faces de um processo maligno. Acredito que conservadores e tradicionalistas precisam dialogar mais, sem sectarismos e preciosismos, pra que ambos aprendam uns com os outros. Os tradicionalistas conhecem melhor a doutrina, mas os conservadores conhecem melhor a política concreta.

Por fim, gostaria que o sr. analisasse mais o papel dos trabalhistas e nacionalistas em geral nesse cenário. Em Fortaleza, o PDT quase todo tá apoiando o candidato bolsonarista. E tem muitos trabalhistas buscando esse diálogo com a direita, depois de levarem tanto ferro do PT. É claro que essa galera entende quase nada de tradição e de moralidade, mas eles possuem bons quadros técnicos e trânsito em certos setores mais à esquerda e no próprio Centro. Como em geral são materialistas, podem servir de pés e mãos a um projeto patriótico cristão. E sabemos que o trabalhismo foi construído, em grande parte, pela reflexão e pela ação de católicos engajados, desde os anos 1920 até os anos 1940 e um pouco depois. O que dificulta às vezes esse diálogo, é a ruptura representada por Jango, Brizola e Darcy Ribeiro em relação aos militares. Mas nesse sentido, podemos seguir o que o famigerado Quintas costumava fazer, de mostrar como os militares concretizaram, com os pés no chão, muitas pautas desse trabalhismo pé-na-porta.

Abraço.

P.S.1: A divisão da direita, assim como o teor artístico da democracia tupiniquim, é anterior à Carla Zambelli. Assista ao vídeo de título "Morador do Leblon hostiliza manifestante durante rolezinho".

P.S.2: Homero, não entendi direito se o sr. se preocupa em escrever sempre corretamente ou se fala sobre isso apenas por comentários dos ouvintes. Mas pra acertar o uso de "mal" e "mau", uma boa dica é conversar mais com seus vizinhos hispânicos que tanto ama. No espanhol, o substantivo "mal" escreve como no português, "mal". Já o adjetivo "mau" se escreve "malo" (no feminino, "má", fica "mala"). É provável que "mau" e "má" tenham surgido de "malo" e "mala", pela supressão do "l". Não querendo fazer o L, "malo" virou "ma'o", de onde "mau", e "mala" virou "ma'a", de onde "má".

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