A grama verde do Irã e um Vietnã que nunca veio...
Uma atualização do conflito Baal-Allah em 2/2026
VERSÃO EM VÍDEO:
Quebrando promessas…
Há um tempo atrás, fizemos uma promessa que só iriamos falar da questão do Irã novamente quando o conflito encerrasse, e tivesse uma paz definitiva. Estávamos no aguardo da paz definitiva para fazer uma análise mais completa e evitar precipitações. Contudo, passou-se muito tempo e a paz, que era para vir rapidamente, nunca veio.
Atualmente, a região está pulando de tic tac em tic tac fazem semanas e meses, e nada de muito definitivo foi decidido, nem a abertura definitiva de Ormuz. Entretanto, gostaríamos de quebrar a nossa promessa e tratar um pouco do conflito até agora uma vez que temos considerações importantes para fazer sobre o conflito.
Entretanto é bastante importante dizer aqui no começo desse post que essa análise está sendo feita dia 06/07/2026 e muita coisa pode acontecer, incluindo nada.
Também é preciso avisar, como uma espécie de disclaimer, que nesse texto iremos meter a real brutalmente nos sonhos de alguns ouvintes e na visão de mundo que eles gostariam que fosse verdade, mas que não é. Não leve isso para o lado pessoal ouvinte, faz parte do trabalho de um filósofo expor uma opinião contra majoritária.
(EDIT: Atualmente 08/07 o conflito recomeçou, mas isso não muda a parte muito nossa posição sobre o conflito.)
1 - Uma análise objetiva do conflito
Para entender um conflito você pode optar por diversas formas de análise. No nosso caso a forma de análise se dará através de uma comparação objetiva do antes e do depois do início do conflito.
Ou seja, vamos analisar ponto a ponto, país a país como estava antes e como está depois do conflito. Acreditamos que essa métrica objetivista seja uma boa métrica para avaliar a situação, pois ela é tangível e abre muito menos margem hermenêutica do que outros critérios como, por exemplo, os objetivos de cada país no conflito.
Em muitos casos os países entram em um conflito com determinados objetivos geopolíticos, e, depois de um tempo, desistem deles. Ou por não conseguirem ou por não valer a pena, e então, mentem dizendo que nunca tiveram aqueles objetivos. Como é o caso recente do conflito Rússia/Ucrânia que, nas primeiras semanas da guerra, tinha como objetivo tomar a Ucrânia inteira e agora o objetivo foi mudado para algumas regiões, apenas.
Por isso, ao analisarmos um conflito, muito melhor que analisar o que cada país disse é analisar o antes e o depois de cada país, de um modo objetivo.
Comecemos, pelos Estados Unidos.
EUA (antes)
Antes do conflito os estados unidos de Trump tinha uma imagem neutra em termos globais. A imagem dos EUA estava meio ruim por causa das indisposições dos EUA com relação a Europa/Ucrânia, mas também meio neutra em virtude do sucesso das negociações envolvendo a Venezuela. Existia um risco eleitoral pequeno para Trump.
EUA (depois)
Depois do conflito os EUA tiveram sua imagem bastante abalada e críticos internos do lobby AIPAC, como Tucker Carlson, ganharam força. Em termos de imagem internacional perante o irã os EUA saíram humilhados do conflito. Em termos militares não houve nenhum grande prejuízo e nem boots on the ground, o que é uma evidência de que a tese do “novo vietnã” é falsa. Não houve vietnã 2.0. Entretanto, essa tese do vietnã nos gerou uma reflexão interessante, que será discutida mais a frente.
Resumo: prejuízo grande a imagem americana e nenhum ganho significativo para os EUA.
Israel (antes)
Antes do conflito Israel estava sob ameaça de um vizinho forte (Irã), com muitas capacidades militares e um projeto de armas nucleares que avançava lentamente. Também Israel estava com problemas no Líbano devido ao Hezzbolah. Com relação a imagem internacional Israel já estava com uma reputação ruim por causa da questão de Gaza.
Israel (depois)
Depois do conflito Israel passou a ter como vizinho um novo irã. Um irã com capacidades militares significativamente reduzidas como, por exemplo, o caso da marinha iraniana, que não existe mais. Juntamente a isso Israel passou a ter um Hezzbolah muito mais fraco do que antes tendo inclusive avançado bastante em negociações com o Líbano. Com relação a imagem internacional Israel não teve significativa alteração pois a sua imagem já estava péssima, mas é importante apontar, que a imagem de Israel piorou bastante dentro dos EUA.
Resumo: grande enfraquecimento dos inimigos de Israel na região ao custo de um pequeno prejuízo de imagem internacional.
Irã (antes)
O irã antes da guerra contava com forças armadas sólidas e que representavam um desafio para Israel a longo prazo, apesar de ter sido enfraquecido com a queda da Síria. O irã passava também por problemas econômicos e hídricos. O regime dos aiatolás estava sendo questionado pela população, apesar dos protestos terem sido controlados. Além disso, o irã estava enriquecendo urânio além do limite para uso civil e tinha uma grande capacidade missilística.
Irã (depois)
O irã agora possui forças armadas muito mais fracas depois de ter tido 13 mil alvos atingidos e hoje muito das capacidades militares do irã nem sequer existem mais. O regime iraniano sofreu um duro golpe e levará muito tempo para voltar ao que era antes do conflito. O irã sai do conflito com uma promessa de que talvez receberá ajuda para ser reconstruído, o que é algo positivo porém incerto. O irã também se comprometeu a talvez não enriquecer urânio além do limite, o que é algo negativo para o irã, porém incerto. E teve também um ganho de imagem internacional por ter sobrevivido.
Resumo: Ganho de imagem internacional e promessa de que talvez receberá dinheiro, ao custo de graves perdas militares, incluindo o proxy Hezzbolah e talvez o programa nuclear.
2 - Nossa posição sobre o conflito.
Em diversos vídeos passados, ao analisarmos o conflito, apontamos que o conflito no irã era uma guerra de aniquilação e que o objetivo do bloco lolita express era destruir o irã o suficiente para depois ir embora. Precisamente por isso nos posicionamos de um modo contrário a tese do novo vietnã, que acreditava que o conflito seria longo, custoso e que teria que ter boots on the ground para um regime change.
Diante disso, a questão que cabe a nós responder agora é:
O Irã já foi trucidado o suficiente?
Tudo indica que sim e, por isso, talvez, a paz esteja próxima.
O que faltava, depois de reduzir as capacidade militares do Irã, era reduzir as capacidade militares do Hezzbolah no Líbano, e isso foi feito. Então sim, o Irã já foi trucidado o suficiente - faltava só o proxy.
Portanto, cabe aqui reconhecer a vitória da nossa análise sobre todos os outros analistas brasileiros, que acreditaram que o conflito iria ser muito longo e muito custoso em termos de vidas para os americanos. Essa era a posição da tese do novo vietnã.
(A posição do novo vietnã era a seguinte: os americanos iriam entrar em uma longa guerra com altos custos financeiros e de materiais humanos tentando derrubar o regime iraniano, e depois, no final, iriam embora. A sobrevivência do irã marcaria a vitória do irã sobre os americanos assim como teria sido no conflito do Vietnã.)
Nada disso aconteceu e todos que acreditaram no novo vietnã erraram.
O que aconteceu foi o que nós dissemos: eles iriam destruir o irã o suficiente e depois iriam embora. Inclusive em vídeos apontamos também corretamente que nunca acreditamos na tese de que haveria boots on the ground, e também corretamente, nunca acreditamos em regime change.
Era algo bem mais simples: destruir e matar os adversários do ocidente na região. Só isso, simples assim. Na linguagem de Israel: era necessário aparar a grama (kisuach deshe) para reduzir a quantidade de insetos a grama foi aparada.
Então sim, o irã foi trucidado o suficiente, juntamente com seu proxy Hezzbolah no Líbano e, portanto, cabe aqui usar o post para declarar vitória maior em termos de análise geopolítica sobre os outros analistas brasileiros que erroneamente acreditaram na tese do novo vietnã.
Parentesis:
Kisuach Deshe (כיסוח הדשא)
Segundo Efrain Inbar e Eitan Shamir (do Instituto Begin-Sadat de estudos estratégicos) a expressão Kisuach Deshe, popularizada em 2014 em observações sobre o conflito em Gaza, que poderia ser traduzia como aparar a grama, refere-se a estratégia militar de controle Israelense no oriente médio focada em degradação periódica das capacidade militares dos adversários. Ela não visa destruir totalmente o adversário, pois ela não acredita que isso seja possível, o que o Kisuach Deshe tem por objetivo é impedir o crescimento do adversário com relação ao estado de Israel para manter a assimetria favorável a Israel. Essa expressão recebeu críticas internacionais dos palestinos pois os colocava de um modo análogo a um inseto. Você corta a grama para que diminuam os insetos uma vez que quanto mais alta a grama mais insetos podem viver lá. Ainda que essa estratégia militar seja análoga a discursos eugenistas e genocidas aqui não nos cabe analisar essa estratégia de um ponto de vista ético, só o que nos limitamos aqui é descrever um fenômeno. Essa expressão já foi usada por diversos oficiais israelense como Naftali Benet, Gadi Eisenkot e Yoav Gallant. O artigo original de Inbat e Shamir sobre o Kisuach Deshe pode ser lido aqui.
Nunca foi sobre mudar regime iraniano.
Nunca foi sobre ocupar o Irã.
Nunca foi destruir o irã completamente.
A verdade é bem mais simples e pesada do que isso: era só sobre matar e e destruir o que fosse possível, ou seja, aparar a grama. E depois ir embora. Mais uma vez estávamos corretos e é preciso dizer isso nesse post pois talvez tenhamos sido o único canal do Brasil a dizer isso.
O saldo final do conflito com o Irã é um Irã reduzido à um país africano em termos de capacidade militares e um respiro de uns 20 anos para Israel, até a grama crescer novamente.
Ademais, existe o componente teológico:
Se Baal te destruir completamente, ele não terá mais seu sangue para beber.
3 - O “Taco” day
Em primeiro lugar, não existe TACO. Esse termo é uma psyop do partido democrata americano. Entretanto, vamos usar esse termo pois ele é um lugar comum de uma perspectiva semântica e é útil para iniciar uma conversa, mais ou menos como são os termos esquerda e direita, que não significam nada, mas são úteis em uma conversa.
Ao analisarmos o “taco” cabe aqui também fazer uma análise objetiva de antes e depois da ameaça de Trump de destruir o Irã. Vamos a ela:
Antes do TACO
Existem dois fatos históricos anteriores ao TACO:
EUA queriam encerrar as operações militares e ir embora, depois de terem destruído o Irã o suficiente.
O Irã não queria negociar nada e se recusava a sentar na mesa de negociações.
Depois do TACO:
EUA e Irã sentaram a mesa de negociações para conversar.
Curiosamente o TACO foi visto como uma grande derrota de Trump na época, apesar de ter sido uma consequência do alcance de um objetivo americano, objetivo esse de fazer o Irã sentar a mesa de negociações para encerrar o conflito.
Esse movimento é aquilo que Hegel chamava de Aufheben.
Dentro da dialética hegeliana existe um termo de difícil tradução chamado Aufheben. Aufheben é uma expressão sem tradução exata para o português que é usada para descrever o movimento dialético de um avanço mediante um recuo. Parece algo paradoxal mas não é. O aufheben em muitos casos é o movimento normal do curso da história humana e foi precisamente o que ocorreu no “Taco Day”.
Esse aufheben ocorre em múltiplos campos incluindo o mercado financeiro onde, em uma série longa, uma empresa pode crescer mesmo que alguns momentos a ação dela esteja em queda. Os momentos onde a ação sobe são chamados de progressão e onde ela cai é chamado de correção. Esse mesmo conceito é utilizado pelo feminismo onde o feminismo avança com feministas radicais e depois recua com feministas moderadas de direita. Mas isso é assunto para outro vídeo.
Até mesmo no reino vegetal esse movimento mediante o recuo pode ser utilizado ao acompanharmos ciclos de aumento de crescimento de florestas após um incêndio.
O TACO day foi um movimento onde os EUA forçaram o Irã a sentar a mesa de negociações, mediante um recuo de uma ameaça. Não há nada de vitória em o Irã aceitar sentar a mesa negociar, pelo contrário, eles fizeram exatamente o que os americanos queriam. Aufheben.
4 - A situação de Israel
Com a grama bastante aparada é bastante razoável afirmar sem medo de errar que Israel entra na era do mundo multipolar na melhor posição possível que eles poderiam entrar dadas as atuais circunstâncias.
Hamas? Teve a grama cortada.
Siria? A síria foi destruída.
O Hezzbolah? Também teve a grama cortada.
E o Irã? O Irã foi trucidado o suficiente.
Ainda que Israel tenha pago um alto custo político em termos de imagem cabe lembrar que o hard power é, em última análise, mais importante do que o soft power.
Acompanhando a série história de Israel desde 1979 é possível afirmar que todos os acordos de abraão que eram possíveis de ser assinados assim o foram e, os países que não assinaram os acordos foram ou destruídos (Síria/Iraque) ou tiveram sua grama cortada (Líbano/Palestina/Irã).
O fim (?) do conflito com o Irã em 2026 marca a ascenção final do estado de Israel como potência regional no oriente médio e garante um respiro e estabilização da região pelos próximos vinte anos ao custo de um grande dano na imagem.
A situação atual de Israel é a mais próxima possível do Lebensraum Israelense do “Grande Israel”.
5 - O que podemos aprender com a tragédia iraniana?
Depois de tudo que aconteceu com o Irã cabe examinarmos a situação toda para tentar aprender com o fim trágico do irã no oriente médio. Afinal, cabe ao sábio aprender com os erros dos outros.
A primeira coisa, a mais óbvia delas, é que o irã deveria ter feito uma bomba atômica. De fato, a ameaça de fazer uma bomba atômica pode ser útil para conseguir dinheiro, contudo, muito mais útil do que ter a promessa de receber dinheiro é ter as capacidades dissuasórias que somente uma arma nuclear pode oferecer. Não que ter uma bomba atômica faça você inderrotável, vide o caso da Rússia na Ucrânia, mas todo o dinheiro que o irã ganhou com a ameaça de fazer uma bomba atômica foi perdido nesses poucos meses de conflito.
A decisão de não fazer uma bomba atômica foi o maior erro na biografia de Khamenei.
Ademais, outra observação importante precisa ser feita. O ataque ao Irã só foi possível de ser feito pois a condição geopolítica do irã foi aos poucos sendo alterada.
Primeiro foram costurados acordos de abraão nos países vizinhos de Israel.
Depois houve a queda da Síria.
Depois foi aparado a grama em Gaza.
Depois foi aparado a grama no Irã e, por último, foi a vez do Hezzbolah.
Israel conseguiu aos poucos isolar e desmantelar todos os aliados e proxys do Irã na região, o que levou o Irã a uma perigosa situação de isolamento.
Essa situação de isolamento deixou barato (em termos geopolíticos) o ataque contra o Irã, permitindo que a grama fosse cortada, e foi exatamente isso que aconteceu.
Aí talvez exista uma lição importante para o Brasil. Isso porque o Brasil também está passando por um processo gradual de isolamento geopolítico.
Está se formando uma situação na qual, se o bloco ocidental decidir “cortar a grama” no Brasil, ninguém fará nada para ajudar o Brasil.
A américa latina inteira se alinhou com o bloco ocidental (tirando o Uruguai, mas ninguém se importa com o Uruguai.).
A Europa não irá fazer nada para ajudar o Brasil pois ene razões, tanto razões comerciais quanto razões relacionadas ao apoio brasileiro à Rússia.
Já a Rússia, por sua vez, não irá fazer nada para ajudar o Brasil pois não tem meios de ação para tal.
E a China talvez até ajude o Brasil, mas primeiro ela precisa pensar 200 anos antes de agir, eles tem um pensamento de longo prazo. Ou seja, não dá para contar com o chinês.
Esse isolamento diplomático geopolítico brasileiro não foi percebido por ninguém na totalidade de problemas que isso pode nos causar como país. O que é algo gravíssimo. Mais uma vez as elites nacionais se mostram atrasadas.
O que seria cortar a grama no Brasil? Cortar a grama no Brasil seria colocar mais sansões econômicas. Essas sansões econômicas gerariam um aumento na perseguição na direita, que seria apontada como causa dos problemas do Brasil pela esquerda. Por sua vez, o aumento da perseguição à direita resultaria em um incentivo para que mais sanções sejam aplicadas ao Brasil. Daí em diante o ciclo se retroalimentaria até a venezuelização completa do Brasil.
Entretanto, essa análise sobre o Brasil em 2026 será feita em outro momento, só estamos adiantando o assunto.
O resumo é: O Brasil, assim como o Irã, não tem bomba atômica e, também assim como o Irã, está sendo geopoliticamente isolado. O Brasil provavelmente não será atacado militarmente mas tem grandes chances de ter sua grama cortada através de sansões a partir do ano que vem.
ADENDOS:
O sistema e as brigas fakes: Kayfabe
Com a grama cortada novamente no oriente médio agora cabe ao bloco lolita express começar a moldar novamente a opinião do povo ocidental em favor deles. Essa tarefa provavelmente será feita com um antagonismo entre o policial bom e o policial mau. Tudo leva a crer que o policial bom será o tecnocrata JD Vance e o policial mau será o libertador da américa Marco Rúbio. Será feita uma disputa de mentira entre os dois onde JD Vance capturará a mente dos direitistas contra Israel e Marco Rúbio captará os direitistas pró Israel. Mas, no fim das contas, todos sabem que os dois são pro Israel. Assim como todos sabem que a briga de Trump com Netanyahu é uma briga totalmente fake para tentar limpar a imagem do Trump.
(PS: Isso já está acontecendo, eu já vi inscritos do meu canal embarcando no barco do JD Vance só porque ele fez um discurso contra Israel. Inclusive Tucker Carlson também já embarcou no JD Vance.)
Reflexões sobre a tese de “novo vietnã”.
Ainda que a tese do novo vietnã esteja errada ao pensarmos sobre ela nós tivemos uma reflexão interessante, que vale aqui apresentar.
Durante a guerra do Vietnã houve dentro dos Estados Unidos grandes protestos pelo fim do conflito e dentro desse contexto surgiram os hippies, que era um movimento de contra cultura que demandava a paz.
Os hippies tinham uma mensagem de busca pelo fim das guerras e pelo amor ao próximo (não em um sentido religioso). Na época eles faziam, com suas músicas, críticas ao imperialismo americano.
A reflexão que ficamos diante da tese do vietnã é a seguinte: Sabemos que essa tese é falsa, que não houve vietnã no Irã, entranto… o movimento cultural daquela época parece se repetir, o que nos leva a seguinte pergunta:
Quem são os novos hippies?
Seria a bolha da internet de política americana o novo WoodStock e seus principais influenciadores os novos hippies? Se pensarmos a política moderna dentro de uma perspectiva da sociedade do espetáculo veremos que o mundo virtual se assemelha a um grande festival hippie.
A internet é lugar (Woodstock), os influenciadores são os assistidos (Músicos) e o público é quem assiste e apoia (com doações financeiras) para tocar o evento adiante. O ethos é muito similar: mensagens contra a guerra e contra o império.
Claro que existem diferenças, devido ao emburrecimento geracional é muito difícil você imaginar que um Nick Fuentes vai fazer um Cm7 no violão e também a principal mensagem anti guerra vem pela direita e não pela esquerda, como era Woodstock. Entretanto, existem muitas similaridades.
Dentre elas, a ingenuidade.
É ingênuo pensar que a paz será alcançada com a redução do poder do bloco ocidental no oriente médio. É ingênuo pensar que existe paz sem existir império e que cada país, se deixado quieto cuidará somente de seu povo fazendo um reino de paz e amor, isso é falso. Essa nossa afirmação é feita com base na história humana: os momentos de paz na humanidades são a exceção e não a regra. E, essa exceção (a paz) geralmente vem como a consequência de um império. Foi assim com a pax americana, foi assim com a pax romana ou até, no caso do oriente médio, que é o assunto do artigo, com a pax aquemenida de 550 a 330 a.c.
A teoria do mundo multipolar diz que irá haver paz entre potências regionais e seus blocos de interesse. Se o mundo multipolar começa com a invasão da Ucrânia cabe aqui perguntar: de lá para cá teve mais ou menos paz no mundo?
A divisão entre reinos gera a discordia, a discordia gera conflito e o conflito gera a guerra, que é o oposto da paz. A única paz real fora de um império é a paz de cristo. Mas boa sorte ao tentar convencer Islâmicos e Judeus disso. Talvez de fato o mundo pertença às pessoas más e 1 João 5:19-21 estava correto.
Sabemos que somos de Deus e que o mundo todo está debaixo do poder do Maligno. Sabemos também que o Filho de Deus já veio e nos deu entendimento para conhecermos o Deus verdadeiro. A nossa vida está unida com o Deus verdadeiro, unida com o seu Filho, Jesus Cristo. Este é o Deus verdadeiro, e esta é a vida eterna. Meus filhinhos, cuidado com os falsos deuses!
Esse post já está muito longo, até a próxima.













Homero, o texto é bom, mas queria saber que por que os Israelitas e os americanos não exterminar os seus inimigos? Seria só para criar um inimigo. O que você acha?
Homero, você escreveu um bom texto, mas queria saber uma coisa, por que não eliminar o inimigo? Será que muçulmanos são os adversários eternos? O que você acha?