Medieval Maxxing #1 - O rei medieval
Não invista no mercado de capitais se você não tem um castelo.
Resumo: No episódio de hoje iremos começar uma nova mini série de alguns episódios onde faremos um pequeno manual de sobrevivência ao Brasil moderno, um enchirídion brasilikos. Nesse primeiro episódio falaremos da importância de saber que não sabemos das coisas e trataremos do estilo de vida medieval, o medievalmaxxing. Que é o estilo de vida superior e correto.
VERSÃO EM VÍDEO:
Uma proposição ética
Repita comigo em voz alta a seguinte frase:
Eu não sei o que eu estou fazendo.
Repita mais uma vez:
Eu não sei o que eu estou fazendo.
De novo:
Eu não sei o que eu estou fazendo.
Repita essa frase até que ela entre na sua cabeça, pois ela é muito importante.
Isso porque o brasileiro, via de regra, acredita saber o que está fazendo, quando não sabe. Um exemplo recente e bastante emblemático é o tigrinho.
Alguns brasileiros acreditam que, para ganhar, é necessário jogar em determinadas horas, nas quais o algoritmo libera o dinheiro. Que é só uma questão de acertar o horário.
Isso é falso. Isso não existe.
Mas o brasileiro acha que sabe o que está fazendo.
E dai ele joga e perde.
Você pode pensar que você não é burro assim, que você não cairia no conto do horário do tigrinho. E, de certo modo, você pode até estar certo sobre isso.
Contudo, as coisas nem sempre são tão óbvias assim.
Recentemente, em nosso canal no youtube, estavamos comentando a carta do CEO da Blackrock, Larry Fink, onde ele diz que investir em imóveis, em moradia, não é algo tão bom quanto investir no mercado de capitais. De certo modo ele está correto, isso é verdade. O mercado de capitais é muito mais rentável que o mercado imobiliário.
Por exemplo, se você investiu 300 mil reais em ações da NVIDIA em 2022 hoje você teria aproximadamente 6 milhões de reais.
Seis milhões, em quatro anos. Veja só.
Contudo, o que Larry Fink não fala é que você precisa saber o que está fazendo. Se você não souber o que está fazendo você provavelmente perderá os seus 300 mil reais. Dai nesse caso, era melhor ter comprado uma casa, que era a opção mais segura.
Entenda o seguinte: a diferença do tigrinho ou investir no mercado de capitais não é tão grande assim como você pensa, se você não sabe o que está fazendo.
Se você não sabe o que você está fazendo tanto faz você colocar seu dinheiro no tigrinho ou na bolsa.
Assim como o brasileirinho que “investe” no tigrinho acha que sabe o que está fazendo, quem investe no mercado de capitais também acha que sabe o que está fazendo.
Claro que você pode investir no mercado de capitais e dar bom para você, ninguém está dizendo que isso não é possível.
Mas esse é um manual de sobrevivência, não um manual de enriquecimento.
Então, repita comigo:
Eu não sei o que eu estou fazendo.
E compre um imóvel.
Um exemplo de uma pessoa com 300 mil reais no banco, que achava que sabia o que estava fazendo, e se deu mau/mal era o youtuber Monark.
Monark tinha 300 mil reais no banco e resolveu meter a real no sistema político brasileiro…hmm… o que poderia dar errado?
O que aconteceu foi que um ministro assinou um pedaço de papel e ele perdeu os 300 mil reais dele.
Se ele tivesse comprado um imóvel com esse dinheiro, um terreno ou uma sala comercial, nada disso teria acontecido.
Não que o sistema não possa ir atrás de você e te tomar o imóvel, ele pode sim. Entretanto, é muito mais difícil ele ir atrás de te tomar um terreno do que assinar um pedaço de papel e movimentar os zeros da sua conta bancária para outra conta.
Se Monark tivesse assimilado a máxima:
Eu não sei o que eu estou fazendo.
Ele ainda teria seus 300 mil reais, provavelmente.
Medieval Maxxing
Existe porém outro fator muito importante com relação à compra de um imóvel, que é a questão do medievalismo.
Muito se fala por aí na internet que hoje as pessoas mais pobres vivem melhor que um rei medieval, o que é claramente uma mentira.
Quem pensa desse modo, que vivemos melhor que um rei medieval, está com a cabeça lavada de ideologias modernas e/ou está preso em uma visão de mundo denunciada por Guenon, que é o reino da quantidade.
Entenda o seguinte amigo: o mais não necessariamente significa melhor. A vida humana não é vivida somente em aspectos quantitativos mas também é vivida em aspectos qualitativos.
Não é porque você hoje vive mais anos que um rei medieval que você tem uma vida melhor que a vida de um rei medieval.
Aos que dizem que vivemos melhor que um rei medieval eu pergunto:
Onde eu assino para abandonar minha vida moderna, voltar no tempo e virar um rei medieval?
Eu aceito, humildemente, largar a vida moderna e virar um rei medieval. Eu aceito me sacrificar, abandonar as maravilhas do mundo moderno e virar um rei medieval. Eu aceito abrir mão de ser controlado por bilionários transhumanistas tecnofílicos com complexo de Deus, que comem carne e bebem sangue humano e que violam crianças de nove anos de idade em ilhas secretas financiadas pelo pecado da usura, para virar um rei medieval.
É um sacríficio que terei que fazer, mas enfim.
Voltando.
O ponto que queremos apresentar com relação aos imóveis é que possuir um imóvel te aproxima de uma vida medievalista. Os reis medievais possuíam propriedades e, se você puder viver como eles e ter um imóvel, tenha um imóvel.
E, se possível, invista em um imóvel rural para fins de aprimorar ainda mais o seu medievalmaxxing.
Não invista em mercados de capitais, a menos que você já tenha um imóvel, um castelo.
O britânico e jurista Sir Edward Coke, já em 1604, meteu a real com relação a importância e valor de se ter um imóvel, em seus comentários sobre o caso Semayne:
Que a casa de cada um é para ele como seu Castelo e Fortaleza, tanto para defesa contra danos e violência, quanto para seu repouso; e embora a vida do homem seja preciosa e favorecida pela lei; de modo que, mesmo que um homem mate outro em sua defesa, ou mate alguém por infortúnio, sem qualquer intenção, ainda assim é crime, e nesse caso ele perderá seus bens e pertences, pela grande consideração que a lei tem pela vida de um homem; Mas se ladrões vierem à casa de um homem para roubá-lo ou assassiná-lo, e o dono ou seus servos matarem algum dos ladrões em defesa de si mesmos e de sua casa, não é crime, e ele não perderá nada, e com isso concorda 3 Edw. 3. Coron. 303, & 305. & 26 Ass. pl. 23. Assim é sustentado em 21 Hen. 7. 39. Todo homem pode reunir seus amigos ou vizinhos para defender sua casa contra a violência; mas não pode reuni-los para irem com ele ao mercado ou a qualquer outro lugar para protegê-lo da violência. E a razão disso é que domus sua cuique est tutissimum refugium. [A casa de cada um é seu refúgio mais seguro (“A casa de cada um é seu castelo”).1
Entenda que ter uma casa, um local seu para morar, sempre foi algo desejável pelas pessoas em múltiplas épocas diferentes da história humana e, na nossa época, a coisa não é diferente.
Contudo, na nossa época, existe uma grande propaganda para que você não tenha uma casa. Essa propaganda quer te convencer que você não deve ter uma casa, que é melhor alugar uma e investir o dinheiro no mercado de capitais.
Mas lembre-se sempre da máxima anti brasileirices:
Eu não sei o que eu estou fazendo.
E compre um imóvel.
Roger da cidadezinha estava certo.
Junto a isso, tem também um outro ponto muito importante com relação a ter um imóvel, que é o fato de que a família habita o imóvel. Um rei medieval não morava sozinho em seu castelo. Junto ao rei medieval estava sua rainha, seus príncipes e suas princesas. Também, além da família direta do rei, havia também a família extendida do rei e também os nobres (guerreiros) que celebravam a vida junto com o rei.
Em termos mais atualizados, isso equivale a fazer um churrasco com a família e os amigos próximos no final de semana, na sua casa.
Atualmente o mundo passa por uma crise demográfica e, arriscamos dizer que, talvez, uma das principais causas da crise demográfica é o fato de ser muito difícil hoje ter um imóvel.
Aquela velha máxima do “quem casa quer casa” continua sendo verdadeira. Se você quer se casar você precisa ter uma casa e, o contrário também é verdadeiro: se você tem uma casa, uma hora ou outra você vai querer encontrar alguém para se casar. Quem casa quer casa.
Veja o exemplo gráfico abaixo, se eu fosse um rei medieval eu teria, além do castelo, uma rainha morena de beleza ítalo-mediterrânea.
A casa é o seu castelo, é o lugar onde você habita e vive em segurança com a sua família e os seus. Aqueles que desejam sobreviver ao Brasil e viver de acordo com o medievalmaxxing precisam colocar os pés no chão, esquecer o mercado de capitais e comprar uma casa, o seu castelo.
Sempre tenha em mente a máxima ética do: eu não sei o que eu estou fazendo. Evite o mercado de capitais e, só entre nele, se você já tiver o seu castelo para participar dos bailes ao som de um bom bardo final de semana com sua rainha.

Pós scrito anti brasilerices.
A máxima ética proposta nesse texto “Eu não sei o que eu estou fazendo” pode possuir um lado negativo, que é te desmotivar a fazer as coisas. As vezes você acha que não sabe o que está fazendo e decide não agir quando você deveria ter agido, mesmo sem saber exatamente o que estava fazendo. As vezes agir sem a certeza é melhor que ficar paralisado pelo medo de errar. Entretanto essa máxima do “Eu não sei o que eu estou fazendo” é útil para te tirar de um modo automático onde você fica agindo sem pensar o tempo todo. Essa máxima, assim como tudo na vida, deve ser moderada pela sua racionalidade linguística prática.
Com relação ao estilo de vida medieval maxxing sabemos que não é possível voltar no tempo e tão pouco queremos apresentar um estilo de vida anacrônico impraticável. Contudo, o que estamos querendo mostrar em nossa crítica é que é possível viver a sua vida na modernidade tendo como parâmetro de suas ações a vida de um rei medieval. Não estamos querendo dizer para você literalmente comprar um castelo, mas sim compre um imóvel, que é meio parecido. Não é possível viver como um rei medieval, mas é possível se aproximar disso.
Resumo em filosofia mais “dura”:
A existência pode ser mais bem fruída quando mediada pela prudência no que diz respeito ao domínio da crematística. O acúmulo patrimonial deve ter como seu início a compra de um imóvel e não o investimento em mercados de capitais salvo raras exceções, onde você sabe o que você está fazendo. Contudo, na grande maioria dos casos você acha que sabe mas não sabe e, a máxima socrática do só sei que nada sei pode ser para você um bote salva vidas para você não entrar em uma furada.
Essa citação está em “Escritos selecionados de Sir Edward Coke, vol. 1”. Está no item 1 do caso Semayne. Você pode dar um Control + F ler online no seguinte Link: https://oll.libertyfund.org/titles/shepherd-selected-writings-of-sir-edward-coke-vol-i#Coke_0462-01_528







Acho que você e nem os outros vão ler, uma vez que já apareceu o vídeo no youtube.
Porém, um tópico fundamental que faltou nesse artigo é a questão da sucessão (ou herança, um termo que prefiro não usar muito).
O MedievalMaxxing também envolve tradição, a família habita o mesmo castelo há não sei quantos anos, todos os avôs de longa data são conhecidos, a tia "x" viajou pra Itália pra trabalhar no Vaticano, a prima "y" casou com um nobre distante, isso sem falar que é praticamente certo que algum sucessor vai morar no castelo e honrar o pai ao continuar o legado.
Se colocado tudo isso num contexto, o brasileiro comum hoje quase do zero. Qual a tradição da família? Se é que ele tem uma, mãe solteira é difícil de considerar. O que o pai consegue ensinar? O que a mãe consegue ensinar? O que ele próprio como pai consegue ensinar e quer ensinar? A maior parte das famílias ensina apenas por convivência, a maioria delas foi desmantelada com o advento de escola e mercado de trabalho especializado, os pais largam os filhos e deixam eles aprenderem como bem entenderem.
Dito isso, rogo pela complementação desse artigo no futuro, no que tange a todas as questões de sucessão e herança, herança material, herança de costumes etc.
Sejamos contra ao “você não terá nada e será feliz” !
Isso ai homeril
Ps: continue acrescentando ao “bilionários transhumanistas……”
Cada vez melhor!
Grande abraço diretamente do primeiro planalto paranaense.