MedievalMaxxing #3 - O homem-cavalo
Todo rei tem seus cavalos.
[VERSÃO EM VÍDEO DO ARTIGO:]
A relação entre o mundo medieval e os cavalos
Um assunto muito importante dentro do mundo medieval era a relação dos homens medievais com os cavalos e, por isso, aquele que deseja se inspirar no medievalmaxxing deve prestar atenção nessa questão.
Ter um cavalo não era como simplesmente ter um “pet” maior. Os cavalos no mundo medieval eram caríssimos de manter, muito mais caros do que nos dias atuais. Um camponês que desejasse ter um cavalo deveria trabalhar e juntar economias por muitos anos.
Isso porque não era “só” comprar um cavalo. Você precisava ter um pasto, aveia, contratar os serviços de um ferrador, ter arreios, um estábulo, serviços veterinários rudimentares etc.
É preciso ainda comentar que um camponês precisaria trabalhar muitos anos para ter um cavalo sendo que a expectativa de vida de um camponês era muito curta.
Nos dias de hoje equivaleria a você, talvez, ter que trabalhar por uns 30 anos para ter um cavalo.
Mas valia muito a pena.
Ao subir em um cavalo você não era mais só um homem, você era um homem-cavalo, um cavaleiro.
A palavra cavaleiro vem do latim e significa justamente isso. Caballus significa o animal e o sufixo arius significa “ligado à”. Cavaleiro significa “aquele ligado ao cavalo”.
Ao subir em um cavalo você não era mais um comum, um qualquer, você adquiria um prestígio muito grande. E, de certo modo, talvez exista uma memória ancestral genética em todos nós, que faz com que nos sintamos mais poderosos em cima de uma moto ou de até mesmo de uma bicicleta.
Me diga se você não se sente literalmente assim em uma moto:
No mundo medieval os cavaleiros tinham um prestígio muito grande sendo considerados uma classe valorosa e guerreira. O fato de você ter uma montaria já era suficiente para te elevar de classe. Você com um cavalo não era só mais um Peasant, você passaria a ser um Knight. Com relação ao medievalismo os cavaleiros eram também muito bem vistos e a igreja católica incorporou muito bem a figura do cavaleiro. Talvez o maior de todos os exemplos é o exemplo de São Jorge que, em um cavalo branco, derrotou um dragão.
Desconsiderando o meme, essa é uma pintura a óleo de Gustave Moreau de 1889. A figura de São Jorge, a luta contra o dragão e o simbolismo lunar é bastante interessante e revela muito sobre a natureza do mau, mas iremos tratar dessa questão em um episódio futuro sobre dragões e criaturas míticas do mundo medieval. Mas o que importa é você perceber que até mesmo os santos montavam a cavalo.
(Comentar sobre o aspecto disciplinar dos Cavalry Charge na versão em vídeo)
Os tempos modernos
Passemos agora a parte prática desse artigo. O que é ter um cavalo nos dias de hoje? A resposta mais óbvia parece ser uma moto e, de fato, é isso mesmo. A moto é a versão moderna do cavalo. Ela não é bem como um cavalo mas é como se fosse.
Não é bem como um cavalo pois ela é baixa. O cavalo em si te deixava mais alto, a moto não. Em um cavalo as pessoas te olham de baixo para cima, na moto não.
Mas tirando essa diferença a moto é quase como se fosse um cavalo mesmo.
Entretanto, como esse é um guia de sobrevivência, nosso enchiridion brasileiro, é preciso ser bastante honesto com o ouvinte. Ouvinte, eu quero o seu bem e portanto eu devo te aconselhar a não ter uma moto.
Motos são perigosas, e são especialmente perigosas no Brasil.
Entenda que as ruas do Brasil são muito ruins e que as motos não se dão bem em um terreno totalmente acidentado, quase lunar.
Ademais, você vai dividir o transito com o brasileiro médio.
Você vai dividir o trânsito com pessoas que acreditam que o sinal vermelho não é para elas, é para os outros, para os manés, os otários. Você vai dividir o trânsito com pessoas que acreditam que “dá para passar no vermelho, pois não vai vir ninguém”.
Dirigir uma moto no Brasil é como jogar na roleta russa em cada esquina. Mesmo que você respeite todas as sinaleiras e seja um mestre na direção defensiva ainda assim você terá que lidar com a imprevisibilidade caótica da burrice do brasileiro médio.
O brasileiro médio irá avançar no sinal vermelho e você, mesmo estando certo, irá se lascar. E, esse brasileiro médio não terá dinheiro para te ajudar com os custos hospitalares, pois ele está todo endividado com os bancos pois resolveu “investir” no tigrinho, em acertar “os horários certos onde o algoritmo larga o dinheiro”.
Esse brasileiro médio, que está nesse momento dando seu FGTS com apoio do Lula para o sistema financeiro para quitar dívidas, não terá como te ajudar caso ele te atropele.
Nossa recomendação, para deixar bem claro, é:
NÃO TENHA UMA MOTO.
É legal? É. Mas não vale a pena o risco.
Qual a próxima opção?
A próxima opção é você entender que um rei medieval não tinha apenas um cavalo, ele tinha MUITOS CAVALOS.
Entenda que ter um carro é algo muito mais seguro que uma moto.
Começando pelo fato de que o carro consegue lidar melhor com o terreno lunar das estradas brasileiras. Um carro tem quatro rodas e, por isso, ele não vai cair caso você passe em cima de um buraco.
Ademais, em caso de colisão você tende a ter mais chances de sobreviver do que em uma moto. Mas claro, se for sua hora não há o que fazer, mesmo de carro.
O rei Mid-tech.
Algo muito importante a ser dito sobre veículos é que você deve escolher um veículo mid-tech. Mid tech é um termo que usamos aqui para definir um veículo que está no caminho intermediário entre o carro analógico e o carro digital.
Um carro muito antigo, muito velho, ainda que seja muito legal de dirigir, tende a ser algo meio sofrido de usar no dia a dia. Existem algumas tecnologias que são interessantes para se ter no carro, que carros muito antigos não possuem.
Entretanto, um carro muito novo também é problemático. Isso se deve ao fato de que quanto mais tecnológico é um carro mais caro é a sua manutenção. E também que carros muito novos você acaba servindo de cobaia, como no caso das pessoas que compraram um Onix com correia dentada banhada a óleo.
Eis abaixo algumas tecnologias que vale a pena levar em consideração ao escolher um carro.
1 - Busque um carro Flex
É possível ter um carro a gasolina no Brasil? Sim.
Entretanto os carros flex tendem a ser melhores. Isso porque o governo do Brasil costuma adulterar legalmente de tempos em tempos a gasolina do brasileiro, adicionando álcool à gasolina.
Essa adulteração gera uma perda de potência do motor a gasolina fazendo o carro ficar xoxo. Ninguém merece dirigir uma xoxeira móvel no dia a dia. No dia a dia é preciso ter dignidade.
A título de curiosidade, o primeiro carro flex do Brasil foi o gol flex de 2003, que na época era um baita carro. Hoje em dia a maioria dos carros são flex.
Um carro flex, contudo, não irá te salvar caso o álcool esteja batizado com água ou outras substâncias. Cuide onde você vai abastecer, desconfie de postos muito baratos.
2 - Direção hidráulica
É importante você ter um carro que você não vai ter que saltar as veias do pescoço para estacionar ao girar o volante. Existem carros com direção muito pesada a venda por aí, isso não é bom para o dia a dia. Essa tecnologia (direção hidráulica) é interessante, é intermediária e interessante.
A direção elétrica, por sua vez, tem uma pegada mais digital e, apesar de ter suas vantagens ela tende a ter um custo muito maior que a direção hidráulica quando dá problema, além de não ser assim tão fácil de arrumar. Geralmente problemas na direção hidráulica são facilmente solucionados com trocas de mangueiras secas, enquanto que a direção elétrica vai necessitar trocas de sensores e as vezes tem problemas de elétrica intermitente.
A título de curiosidade, o primeiro carro com DH foi o Ford Galaxie de 1967. Era um banheirão tão pesado que tinha como opcional essa tecnologia de auxílio para mover as rodas.
3 - Ar condicionado/climatizado
É bem verdade que não havia ar condicionado no mundo medieval. Um rei medieval jamais sequer conseguiria imaginar o que é um ar condicionado. Contudo, no mundo medieval o planeta funcionava de um modo bem mais natural e o clima do planeta inteiro ainda não havia sido alterado assim como está alterado hoje. Era um clima bem menos extremo e talvez essa tecnologia nem fizesse tanta falta.
Contudo, nos dias de hoje é muito insalubre ter um carro sem ar condicionado. Especialmente no sul do Brasil onde você acorda de manhã com uma temperatura de menos cinco graus e tem que entrar no carro para ir trabalhar. Ter climatização no carro é um opcional que vale muito a pena.
O que deve ser dito sobre climatização de um veículo é que um ar condicionado mau regulado pode aumentar bastante o consumo de combustível do veículo. Se você for comprar um carro usado dê uma olhada se o filtro está limpo. Uma simples limpeza/troca de filtro de ar condicionado faz uma grande diferença. É uma coisa que custa 20 reais para trocar e que vale a pena. Ninguém merece respirar a poeira do antigo dono.
4 - Carros que não pagam IPVA
No brasil existe uma lei que não faz o menor sentido. Ela funciona mais ou menos assim: se você tem um carro velho você não paga imposto (IPVA).
Não seria melhor isentar de impostos os veículos mais novos que poluem menos e são mais eficientes em termos energéticos? Sim, seria.
Mas no caso o governo do Brasil faz o contrário, porque sim.
Se você tem um opala comodoro que faz 2 por litro você não irá pagar impostos. Já se você tem um carro mais novo que faz 17 km por litro, você irá pagar impostos.
Diante disso você deve considerar comprar um carro isento de impostos, caso não se importe com um carro mais antigo. A isenção de IPVA é algo que varia conforme o estado do Brasil. No Rio Grande do Sul são 20 anos, mas existem estados como Amapá que são 10 anos. Mas a maioria dos estados são em média 15 anos.
Bônus: “quanto custa um cavalo real hoje?”
Caso você queira comprar um cavalo de verdade nos dias de hoje não é tão caro. Contudo, apesar de não ser tão caro o cavalo nos dias de hoje é algo mais como um hobby caro e que não tem mais a capacidade de te elevar de classe social.
Mas, se você tiver o dinheiro vale a pena.
A título de curiosidade, um cavalo de verdade, e de boa procedência, custa hoje algo em torno de uns dez mil reais. Esse valor pode subir muito dependendo do cavalo. Mas um cavalo simples e funcional, saudável, pode ser comprado por uns dez mil reais.
Contudo, o problema de ter um cavalo não é só comprar e sim manter. As manutenções de um cavalo custam em média um valor de uns 800 reais por mês caso você tenha um campo e um lugar para o cavalo. Caso você deseje ter um cavalo no perímetro urbano dai o valor vai subir para uns 1500 reais por mês. O que não é barato.
Ademais, os cavalos são animais cuja manutenção da saúde é algo bastante caro e, em muitos casos, o problema de saúde não terá solução e você terá que abater o cavalo para o bicho parar de sofrer. Isso tem um custo emocional bastante grande se você gostava mesmo daquele cavalo.
Pós escrito antibrasileirices.
Nesse artigo nós não falamos de valores de veículos. Isso ocorre porque queremos evitar uma brasileirice muito comum em vídeos onde as pessoas falam de veículos.
A brasileirice segue mais ou menos assim.
Você indica um carro de até 40 mil ao brasileirinho, um carro bomzinho, que não irá incomodar muito.
Dai vem o brasileirinho e diz:
“Ahh você é otário, por esse valor aí eu pego tal carro, que é muito mais carro que esse dai que tu me sugeriu. Hihihi levei vantagem.”
Geralmente esse veículo que o brasileirinho acha que é uma boa ideia é um carro antigo, cujo custo de manutenção é muito mais alto e ele vai tomar uma facada de uns dez mil reais quando o carro encostar na oficina.
Mas o brasileirinho acha que é esperto, que é o bomzão, que sabe de tudo e que pensou algo que ninguém pensou sobre carros antes.
Sim amigo, você é a primeira pessoa do mundo a considerar comprar um honda civic usado no lugar de um polo track. Você é o espertão, você é bomzão, ninguém nunca pensou nisso, parabéns.
Com relação a carros é muito importante você lembrar da máxima antibrasileirices dita no episódio 1 dessa série: eu não sei o que eu estou fazendo.
Não invente moda, não pense em pegar um civic só porque ele tem o mesmo valor de um polo track. Tu vais te incomodar. Não tente dar uma de espertão. Esse civic usado provavelmente já foi todo moído por um brasileiro médio que cortou as molas e raspou todo o chão do veículo no semáforo enquanto estava com uma vagabunda aleatória no carona.













Salve Homero.
Um carro velho e uma mulher brava. É a felicidade e o desejo do beta. O carro velho pra te dar dor de cabeça e a mulher brava para lhe apurrinhar as ideias. A vida do beta têm uma apurrinhação dupla. Fora os melequentos que vivem doente e passam o dia destruindo os eletrodomésticos em casa. A felicidade é a normalidade do cotidiano, daí você se sente bem.
Fala, meu nobre! Fala, meu bom!
Outra dica é considerar uma caminhonete a diesel, como uma Toyota SW4 já isenta de IPVA ou próxima disso. Além de ser um veículo mais robusto e pesado, o diesel costuma ser muito menos sujeito a adulterações. E mesmo quando há mistura com biodiesel, óleo reutilizado ou similares, os impactos tendem a ser administráveis desde que a manutenção esteja em dia.
Mas aí entra um ponto importante: se você vai ter um veículo desses, vale a pena aprender o básico de mecânica ("motorpill"), ter as ferramentas para realizar manutenções simples e cultivar contatos de confiança para serviços mais complexos.
O problema do brasileirinho é que ele economiza de um lado, aproveitando a isenção do IPVA, mas acaba perdendo do outro porque não investe parte dessa economia na manutenção preventiva. No fim, o barato sai caro quando alguem tem alta preferencia temporal.
Mas agora outra possibilidade para quem já faz é já um iniciado na motorpill é tornar-se um adepto, comprar mais equipamento e começar a fazer a manutenção de tratores e outros equipamentos pesados, isso no campo é uma mão na roda pois pagam um premium pois o equipamento não pode ficar parado, e se você desenvolver olho para isso é até uma possibilidade de negocio na revenda, muitas vezes tendo pouquissima burocracia pois não é um veiculo que roda em areas publicas.
A trinidade da motorpill é: Mecanica, Eletrica e Hidraulica, dominando a ponto de virar um Mago 3 artes arcanas você pode então chegar no patamar de Arquimago, fazer isso como um empreendimento amplo e treinar a sua equipe, faça o seu sinodo mecanico e treine novos adeptos.
Afinal, o que seria o Imperium sem seus Adeptus Mechanicus?