MedievalMaxxing #4 - A alimentação real
Não, você não se alimenta melhor que um rei medieval.
[VERSÃO EM VÍDEO:]
O aspecto sombrio da alimentação moderna
Indo bem direto ao ponto: a alimentação moderna parece não ter o foco em nutrição. No mundo moderno alguns alimentos não nutrem, eles simplesmente suprem uma demanda por prazer alimentar e garantem o mínimo para a pessoa não morrer de fome.
Aqui a sabedoria estóica de Musônio Rufo é importante para entendermos o problema da modernidade no que diz respeito aos alimentos. Musônio Rufo foi um filósofo estoico pouco conhecido, mas que possui considerações muito interessantes sobre a alimentação.
Em primeiro lugar o sentido da comida não deve ser o prazer, mas sim a saúde. Isso poderia ser escrito de um modo mais claro com a frase: você deve comer para viver e não viver para comer. No sentido de que os alimentos são um meio para a obtenção da saúde e não um meio para a obtenção do prazer, e nem um fim em si mesmo.
Em segundo lugar refeições mais simples tornam a vida mais livre uma vez que tiram o foco do momento no prazer da experiência gastronômica. Em muitos casos a alimentação, quando muito saborosa, quase que escraviza a pessoa. Uma pessoa que pensa em comer o tempo inteiro se assemelha a um escravo, é quase como se ela estivesse recebendo ordens da comida.
É daí que vem a importância religiosa do jejum. Quando você diz não a comida você está dominando a sua vida e não sendo dominado pelo prazer alimentar. Isso era bastante dito pelos padres do deserto no Apopthegmata Patrum. O controle da alimentação talvez seja o primeiro passo para você adquirir controle sobre a sua vida e, no passado, a gula era vista como porta de entrada para diversos outros pecados.
É dai que vem o sentido do asceticismo. O asceta é livre pois ele não é um escravo dos seus desejos, inclusive o desejo alimentar. Não é a fome que vai fazer ele se alimentar, é ele, o asceta, quando ele decidir se alimentar. A liberdade nesse caso é atingida ao negar aquilo que poderia te escravizar, o prazer alimentar. Nietzsche, contudo, pensa que é precisamente o contrário, mas ele estava errado pois era feio, bobo e morava longe.
Outro erro comum da modernidade é o foco excessivo em uma alimentação voltada à estética, que é o caso do marombeiro que tem o corpo esteticamente forte, mas que por dentro está repleto de problemas de saúde. O marombeiro também não está se alimentando pela saúde, ele se alimenta do modo que ele se alimenta por uma questão estética, o que também é um desvirtuamento do sentido da alimentação.
Mas vejamos essa questão da alimentação com mais calma, no que diz respeito a alimentação de um rei medieval, que é o foco dessa série.
A obrigatoriedade de um rei comer comidas orgânicas.
Hoje em dia comer comida orgânica é algo caríssimo e raro, é preciso estar muito bem de vida para conseguir se alimentar de um modo orgânico. Contudo, se você fosse um rei medieval, você comeria comida orgânica TODAS AS VEZES que você fosse se alimentar.
Cada vez que você se alimentasse você se alimentaria com comida orgânica uma vez que SEQUER EXISTIA comida que não era orgânica. A distinção entre orgânico e não orgânica é algo moderno, um rei medieval não conseguiria nem entender o que é isso.
A alimentação orgânica de um rei medieval era algo obrigatório e inevitável. Tão inevitável quanto os 2% do Renan Santos do MBL.
Mas voltando.
Se um rei medieval fosse comer um pão? Esse pão seria orgânico.
Se ele fosse comer arroz? Esse arroz seria orgânico.
Se ele fosse comer carne? Essa carne seria orgânica.
E assim por diante.
Hoje em dia, na modernidade, você come um pão de vento, que não nutre. O arroz que você come foi irrigado por água contaminada e a carne que você come foi amplamente hormonizada com produtos que possuem potencial de te causar aquela doença dos zodíaco.
Aquele que deseja alcançar grandes níveis de MedievalMaxxing deve buscar maximizar o consumo de alimentos orgânicos e de boa procedência enquanto que deve, ao mesmo tempo, evitar ao máximo a alimentação não orgânica.
Infelizmente a grande maioria dos alimentos do mercado não são orgânicos então, além de ser algo muito caro, é algo que dá muito trabalho para conseguir. Se alimentar como um rei medieval é algo muito caro e, mesmo que você consiga aumentar o consumo de orgânicos, ainda assim você não está livre da contaminação da água dos lençóis freáticos que irrigam os orgânicos que você come.
Na modernidade tudo é sujo, tudo é lixo, tudo é resíduo de plástico.
A água do rei medieval
O rei medieval tomava água 100% pura de uma boa fonte de água. É bem verdade que as vezes as pessoas sofriam com cólera pois não se tinha a noção de ferver a água quando a fonte de água não era muito segura. Contudo, de um modo geral, um rei tomava água pura todos os dias.
A ideia de você tomar água contaminada era algo muito raro para um rei medieval, seria inclusive até considerado loucura alguém tomar água contaminada. Nos dias de hoje, contudo, mesmo as pessoas mais ricas não conseguem escapar de tomar água com algum nível de poluição.
E aqui a desgraça da modernidade assume diversas formas.
Você pode tomar água com coliformes fecais (água com MERDA) ao colocar gelo feito com água contaminada, em um copo de caipirinha que você comprou em um quiosque do Rio de Janeiro, por exemplo.
Você pode consumir água carregada com microplásticos que, invariavelmente, se acumularão nas suas bolas causando a redução do seu número de espermatozoides. Tente explicar isso a um rei medieval.
Você pode também tomar água de um lençol freático contaminado com mijo de mulheres que consomem hormônios anticoncepcionais devido a um vazamento subterrâneo de esgoto. Hormônios anticoncepcionais esses que, é importante ressaltar, não existiam no mundo medieval.
E por aí vai. A lista de formas de contaminação de água no mundo moderno é imensa.
Quanto a isso, você não tem escolha a não ser comprar água mineral de uma fonte que você sabe que é segura. Contudo, o problema da água mineral é que a água mineral é mineral. Isso pode gerar um acúmulo de sódio nos seus rins gerando uma pedra nos rins ou até coisa pior.
O Pão nosso de cada dia nos dai hoje…
Um dos principais problemas do mundo moderno, em termos de alimentação, é que o pão consumido hoje é um pão muito diferente do pão feito no passado. Um rei medieval consumia um pão muito mais denso, natural e nutritivo do que os pães de hoje.
Os pães atuais são resultantes de processos industriais onde quase tudo é artificial. Desde o processo de fermentação da massa até o próprio grão de trigo feito hoje através de modificações genéticas e regado a agrotóxicos. O resultado é que o pão da modernidade é um pão inflado, oco e incapaz de prover as demandas energéticas e nutricionais de um ser humano.
É por isso que hoje, quando você come um pão, você passa a sentir fome novamente após algumas poucas horas. Enquanto que o pão de antigamente era muito mais forte. O pão de hoje é um lanche, enquanto que o pão de antigamente era uma refeição.
Infelizmente as receitas mais antigas de pão se perderam e você provavelmente nunca irá consumir o pão similar ao pão que Jesus Cristo consumia. Contudo, você pode tentar comprar ou até mesmo preparar você mesmo um pão mais natural e mais reforçado. Não é uma solução ideal, mas é uma solução.
O Frango Medieval
O Frango é um alimento típico do mundo medieval. Ele é um animal com sua origem no sudeste asiático (Vietnã/Tailândia) e hoje serve de alimento para o mundo todo. O Frango, assim como o pão, era diferente no passado. Ele era mais magro, com menos carne e dizem que era até capaz de voar pequenas distâncias. Já o frango de hoje é uma ave que passou por um processo de seleção genética natural, para ter mais carne no peito e nas pernas.
Contudo, mesmo sendo modificado, ainda vale a pena. O Frango é o animal preferido dos sobrevivencialistas pois ele demanda uma área muito pequena para ser criado e põe ovos. A carne do frango, além de ser saborosa, possui proteínas de absorção lenta, que é muito bom para o ganho de massa muscular. E, além disso, o ovo do frango é uma excelente fonte de albumina, outra proteína muito importante para um rei medieval.
O lado negativo do Frango é que ele pode te passar uma gripe aviária se for criado em condições desfavoráveis. Ademais, é preciso que você tome muito cuidado com frangos a venda no mercado, pois alguns deles são hormonizados no Brasil com hormônios que não são aceitos em muitos lugares do mundo, pois podem gerar problemas de saúde.
A cerveja e o vinho
Outro ponto importante é a questão da cerveja e do vinho. Apesar de ambos não terem sido inventados no período medieval foi no período medieval que a situação da cerveja e do vinho se profissionalizou. Foi no período medieval, através de monges da Ordem de São Bento, que as receitas foram se aprimorando e padrões de qualidade foram estabelecidos e foram se desenvolvendo ao longo de todo período medieval.
Hoje em dia, na modernidade, o jovem não consome mais vinho e cerveja pois, como todos sabem, as novas gerações só querem saber de Lolzinho&Punheta e, por isso, elas não saem mais a noite para tomar uma e se divertir.
Entretanto, a cerveja e o vinho são símbolos. O vinho é um símbolo cristão que representa o sangue de Jesus Cristo e comumente está ligado a espiritualidade. Inclusive o vinho também é associado à intelectualidade e a reflexão. Já a cerveja é um símbolo de amizade muito importante veja, por exemplo, essa foto minha tomando uma cerveja com o atacante Neymar Jr, dentro do meu castelo medieval celebrando a amizade.

Um ponto interessante do período medieval é que cada monastério tinha sua receita própria, que era resultante das condições próprias de cada local, como água, cultivo de ingredientes, tipos de barris de fermentação etc.
É preciso aqui ainda ressaltar mais uma vez a importância do asceticismo e da busca por moderação pois, cerveja e vinho em excesso fazem mau/mal para a saúde humana. É necessário que você, se quiser consumir esse tipo de alimento, faça com ainda mais cuidado do que os outros alimentos.
Considerações Finais
Existe muitos outros apontamentos que poderiam ser feitos com relação a alimentação de um rei medieval como, por exemplo, a questão dos queijos e o quão importante foi e é o processo de fermentação para a produção de alimentos. Contudo, não queremos deixar esse artigo muito longo.
De um modo geral, é possível concluir que na questão alimentícia talvez o humano mais bem alimentado que já existiu foi o rei medieval. A partir dali houve um declínio na qualidade dos alimentos e, mesmo as pessoas mais ricas de hoje, os “reis” modernos, não possuem uma qualidade alimentar tão grande quanto a qualidade alimentar de um rei medieval.
O que a modernidade apresenta de novo é uma ampliação na quantidade dos alimentos produzidos às custas de muitos agrotóxicos, modificações genéticas, águas contaminadas e processos industriais complexos que degradam o meio ambiente, em prol de alimentos com pouco valor nutritivo e que prejudicam a saúde das pessoas.
Você pode até discutir se isso tudo que a modernidade faz com os alimentos é bom ou ruim, eu penso que seja ruim, mas o que é indiscutível é que, pelo menos em termos alimentares, você não vive melhor que um rei medieval. Entretanto, talvez seja uma boa ideia pelo menos tentar, na medida do possível, se alimentar como um rei medieval.
Isso inclui buscar consumir fontes de água limpa, alimentos naturais orgânicos e que tenham como o foco a nutrição ao invés da busca pelo prazer alimentício hedonístico. Entenda que você nunca irá se alimentar bem como um rei medieval se alimentava, mas você pode tentar chegar perto disso na modernidade. Isso é o MedievalMaxxing. Não é sobre voltar no tempo, pois isso não é possível, é sobre você olhar boas experiências e modos de vida do passado e se inspirar neles para viver a sua vida moderna melhor.
Pos escrito anti brasileirices
Estamos dizendo que é muito importante você dar um foco na qualidade dos alimentos e na nutrição, como uma oposição a quantidade vazia e hedonista dos alimentos modernos. Contudo, talvez o ouvinte brasileirinho pense que isso não é possível de ser feito, pois uma alimentação assim exige muitos recursos e não é para qualquer um.
Sim ouvinte, você está certo.
E também o ouvinte pode tentar argumentar que é melhor que exista comida ruim em quantidade do que somente comida boa em pequenas quantidades.
Sim ouvinte, você também talvez está certo nesse ponto.
Entretanto, o intuito desse artigo não é esse.
O ponto que queremos demonstrar aqui é que a sua alimentação hoje NÃO PASSA NEM PERTO da alimentação que um rei medieval teria. O rei medieval provavelmente foi o humano que mais bem se alimentou na história dos humanos.
Disso não quer dizer, evidentemente, que nunca teve comida ruins que os reis comeram, pois não existia um controle de qualidade tão grande, mas a melhor comida que tinha era a comida do rei, ele teria acesso a comida saudável, nutritiva e fresca assim como uma água limpa. Não estou dizendo que não existiram reis que se alimentaram de um modo ruim, mas no geral os reis tinham a melhor alimentação possível.
Qualquer pessoa que diga para você que você vive melhor que um rei medieval está mentindo e, na parte da alimentação, essa diferença é muito clara. Inclusive quanto mais o tempo passar mais clara ficará essa diferença, isso porque a alimentação moderna ainda não parou de piorar. Quando você estiver comendo insetos você lembrará deste texto.










Boas Homero, eu não conheço a realidade brasileira por completo, logo não vou opinar, mas vou concordar tecnicamente com o artigo. No entanto a realidade económica principalmente desde a revolução industrial sofreu alterações profundas, que levou a uma alteração no setor primário, permitindo muito maior produtividade, tal como houve no século XIII primeiramente e depois com o Taylorismo e Fordismo nos séculos XIX e XX. Na minha opinião não se pode desconectar os avanços que houve nestes séculos que permitiram uma vida digna a muita gente (principalmente desde o Fordismo e sim sei que foi por interesses do próprio) da mudança no setor primário que permitiu uma redução do número de trabalhadores neste setor (acho que ninguém quer trabalhar nele, eu pelo menos não, antigamente no Alentejo onde resido atualmente as pessoas trabalhavam de sol a sol com 35 a 40 °C em cima... ) e um aumento extraordinário da produção. O que quero dizer é que a alimentação tem perdido qualidade ao longo do tempo, no entanto houve mudanças positivas ao longo destes últimos 300 anos que não podem deixar de ser citadas e estão ligadas a este fenómeno.
Brutal a vida do Beta, nem escapar de ser um subnutrido cheio de hormônios e micro plásticos ele pode.