Não precisamos de aceleracionismo [#3]
Um texto sobre ir rapidamente para lugar nenhum.
Resumo: o presente artigo busca entender e explicar o fenômeno do aceleracionismo, atualmente presente em alguns setores da direita. O artigo começa explicando como surge o aceleracionismo e porque ele é algo que, em sua essência, é um fenômeno de esquerda. Depois explicaremos como essa ideia de esquerda é introduzida na direita americana. Por fim, faremos uma breve crítica a ideia de acelerar por acelerar e o problema de querer ir a lugar algum rapidamente.
Palavras-Chave: aceleracionismo. Deleuze&Guatarri. Nick Land.
DISCLAIMER: A versão em vídeo desse artigo contém palavras de baixo calão, necessárias para a explicação do assunto. Vocês foram avisados.
VERSÃO EM VÍDEO DO ARTIGO:
1. Gênese da ideia: Deleuze&Guatarri
A ideia de aceleracionismo tem sua origem nos filosófos franceses de esquerda Gilles Deleuze e Félix Guatarri1. A origem do aceleracionismo surge no livro O anti-Édipo (1972), onde os autores estão fazendo uma crítica à psicanálise freudiana. Para D&G a visão de Freud sobre o subsconsciente está presa em uma forma que eles chama de forma de uma casa. Casa no sentido de ter um pai, uma mãe, filhos, leis, etc. A psicanálise freudiana estaria inserida dentro de um contexto familiar (Édipo), enquanto que D&G acreditavam que o subconsciente está mais envolvido na ideia de sensibilidade e desejo não estruturado (molecular).
Essa crítica feita à psicologia freudiana é conhecida como esquizoanálise. Esquizoanálise não tem a ver diretamente com a ideia de esquizofrenia, tem mais a ver com a ideia de uma análise de corte uma vez que a palavra grega skhízō (σχίζω) significa dividir, cortar, cindir. A Esquizoanálise significa ver o subsconsciente não como uma estrutura fechada organizada em papeis teatrais do Édipo, mas sim tem a ver com interpretar o desejo de um modo mais aberto, difuso.
E o que isso tem a ver com aceleracionismo?
Bom, é complicado. Mas D&G associam essa psicologia fundamentada no desejo (esquizoanálise) como algo que tem ligações profundas com o capitalismo pois o desejo é visto com uma ordem de produção (IV.3.1). E não só o desejo é visto como uma ordem de produção mas eles pensam o humano como uma máquina desejante.
O capitalismo é visto por D&G como uma ferramenta desterritorializante. Desterritorializar significa quebrar tradições, ordens simbólicas, vínculos comunitários, hierarquias etc. Depois disso, o capitalismo reterritorializa as pessoas para locais onde elas serão úteis para ele, como a ideia Freudiana.
(De um modo mais simples: o capitalismo destrói as tradições antigas e as substitui por ideias novas, que servirão ao capitalismo. Quando o processo de desterritorialização é muito radical acentuam-se os problemas mentais dos seres humanos.)
Nota pessoal aleatória sobre Martin Heidegger.
O processo de desterritorialização descrito por D&G lembra muito o Entwurzelung de Martin Heidegger na obra Sein und Zeit. Desterritorialização seria algo próximo a arrancar uma árvore de um solo e plantar em outro lugar mais conveniente ao plantador. Já Entwurzelung tem mais a ver com arrancar a árvore do solo e não plantá-la mais, seria a ausência de solo (Bodenlosikeit), que é típico da modernidade cosmopolita, do cidadão do mundo.
O cosmopolita é um heimatlosikeit, é alguém que não possui uma casa no mundo. A ideia do cosmopolita ter sua casa “no mundo inteiro” é por si só uma grande contradição com o próprio conceito de casa. Isso porque uma casa é um lugar justamente feito para você se separar do mundo, é precisamente por isso que ela tem limites (paredes). Uma casa sem paredes por definição não é uma casa e, por isso, não tem como a sua casa ser “o mundo”. A ideia de ser cidadão do mundo é uma contradição em termos.
Isso fica bastante claro quando o poeta Vinícius de Moraes declama:
Era uma casa muito engraçada, não tinha teto, não tinha nada.
Ninguém podia entrar nela não, porque na casa não tinha chão.
Ninguém podia dormir na rede, porque na casa não tinha parede.
Ninguém podia fazer pipi, porque pinico não tinha ali.
Mas era feita com muito esmero, na rua dos bobos, numero zero.
Uma casa para ser uma casa precisa construir barreiras divisórias com relação ao resto do mundo, se não fizer isso, não é casa. A ideia de sua casa ser “o mundo” é impossível. Martin Heidegger usa uma palavra para definir o sentimento de estranhamento de “não estar em casa”, essa palavra é Unheimlichkeit.
Mas voltando ao D&G…
Os filósofos franceses vem que o capitalismo é um mau e que todas as soluções propostas ao problema do capitalismo (fluxo/refluxo) não são boas. Diante disso, eles acreditam que a solução ao problema ainda não veio pois não é a hora da solução chegar. É por isso que eles propõem que se acelere o processo do capitalismo, para que a solução a ele chegue mais rápido. Segundo D&G:
Pois talvez os fluxos ainda não estejam suficientemente desterritorializados e suficientemente descodificados, do ponto de vista de uma teoria e de uma prática dos fluxos com alto teor esquizofrênico. Não retirar-se do processo, mas ir mais longe, “acelerar o processo”, como dizia Nietzsche: na verdade, a esse respeito, nós ainda não vimos nada. (III.9.8)
Ou seja, não é que a solução ao problema não exista. Para D&G a solução parece existir, mas ainda não é hora para ela chegar. Diante disso é necessário acelerar o processo para que a solução seja encontrada. Isso é uma crença do progressismo, que rebateremos mais a frente no artigo.
2. Aceleracionismo de NICK LAND
O texto mais famoso onde o filósofo britânico Nick Land fala sobre aceleracionismo é no ensaio chamado Meltdown2 (1994). O Meltdown é um ensaio de natureza caótica onde um monte de frases sem conexão aparente são jogadas uma atrás da outra. Entretanto, as ideias de D&G estão povoando o texto, é possível encontrar termos usados por D&G como máquinas desejantes, desterritorialização, esquizoanálise e até mesmo a citação onde D&G citam a necessidade de acelerar.
Contudo, diferentemente de D&G que aparentam buscar a aceleração para surgir com uma superação do capitalismo (solução), Nick Land aparenta buscar a aceleração para quebrar o sistema, e não buscar uma solução. Nesse sentido o aceleracionismo de Land é mais voltado ao niilismo. Meltdown, nesse sentido, equivaleria a forçar a máquina a trabalhar tanto que o calor da máquina a derreteria. É um processo de aumento da intensidade com a intenção de destruir a máquina.
Essa ideia aparece de um modo mais claro no texto Machinic Desire (1993). Esse texto é muito mais bem escrito pois possui uma forma mais acadêmica e menos ensaística provocativa que o Meltdown. No Machinic Desire Nick Land descreve o processo moderno de negação da síntese transcendental kantiana como ateístico, órfão e anti-humano. Ele aponta que no tecnocosmos nada é dado, tudo é produzido, produzido pelas máquinas desejantes.
Land se questiona sobre se “as pessoas querem o capitalismo?” e se dá conta que o “querer” por si só é parte do processo que vai gerar o capitalismo. No sentido de que você pode até “não querer” o capitalismo como uma ideologia, mas você, como máquina desejante, quer os produtos, o que gera o capitalismo. Land aparenta negar a visão marxista do capitalismo como sendo fundamentado em contradições, ele vê o capitalismo mais como fruto do desejo humano. Quase como se fosse a conclusão lógica do desejo humano.
Nick Land nega a tese marxista de que o capitalismo é atravessado por contradições internas, que mereceriam crítica para gerar a sua superação (teoria crítica). O que ele faz é dizer que o capitalismo não é contraditório, mas sim expressivo. No sentido de que ele expressa o desejo humano. Ou seja, não é que Nick Land refuta o marxismo no sentido de mostrar que não há solução para o problema capitalismo, o que ele faz é mostrar que o capitalismo se quer é um problema: ele é uma consequência lógica do desejo humano. Como se fosse uma forma histórica que o desejo humano assume.
Não que haja uma defesa ou uma apologia ao capitalismo por parte do Nick Land, mas ele vê o marxismo quase como se fosse alguém tentando resolver um problema que não existe pois não é um problema, mas sim uma caracterísitica. O sistema não deve ser acelerado para gerar sua superação, pois não há nada a ser superado (niilismo), só o que há é o processo. É aí talvez que Nick Land se separa de D&G negando a esquerda sem fazer uma apologia do capitalismo. O capitalismo não é bom e nem mau, é simplesmente a conclusão lógica das máquinas desejantes.
D&G desejam acelerar o fim do capitalismo enquanto que Nick Land deseja ir para lugar nenhum, rapidamente. Nowhere Fast.
3. Apontamentos pessoais sobre aceleracionismo.
Nessa próxima parte farei comentários diretos sobre os problemas do aceleracionismo.
1 - O aceleracionismo e a degeneração
Sendo bem direto ao ponto: muita gente adota o aceleracionismo no Brasil pois é uma justificativa teórica para ser um degenerado. É um modo de você conseguir lidar melhor com a culpa de ser um lixo moral. Simples assim.
Por exemplo:
Se lançaram uma nova boneca sexual com uma vagina de plástico com cinco velocidades, você vai comprar, em nome do aceleracionismo. E, se alguém te criticar por isso, você diz que isso é o futuro, que não há o que fazer e que é o desejo maquínico humano se manifestando. Que no futuro todos agirão assim, que você é só um vanguardista.
É muito mais fácil agir assim, e comprar uma boneca, do que ser um bom ser humano e desenvolver relações interpessoais saudáveis com uma pessoa real do sexo oposto. É melhor e mais fácil o mundo dos simulacros.
(Não quer dizer que todo aceleracionista é assim, mas talvez a maioria deles seja assim. Esse parênteses é para explicar para o brasileirinho que a regra geral possui exceções que não invalidam a regra geral.)
2 - O aceleracionismo parte de uma premissa de base historicista
Outro ponto problemático do aceleracionismo é que ele parte de uma concepção determinística fisicalista materialista. Essa crença surge do marxismo e da noção de fim da história, na qual a consequência necessária do capitalismo seria o seu fim dentro de uma crítica, que levaria ao comunismo, que seria o último modelo político do ser humano pois seria o melhor. Quase como se o capitalismo fosse um estágio transitório para a evolução da humanidade ao comunismo, que seria a forma perfeita.
Uma causa (capitalismo) vai levar a outra causa, que nesse caso é a causa final (comunismo).
Por trás dessa ideia está a crença metafísica (um ato de fé) de que a física levará a humanidade a um determinado lugar, que na visão deles é o comunismo. Também por trás dessa ideia existe outra crença metafísica, que é a crença de que o comunismo é esse determinado lugar (causa final).
Não é possível provar fisicamente (materialismo) que a humanidade necessariamente caminhará para uma determinada direção. E, também, não é possível provar usando a física (materialista) que você sabe que direção é essa, que você não está enganado.
Existe um problema epistemológico: você não sabe se a estrada que você está seguindo é a estrada correta e nem sequer se a estrada tem fim. Isso inclusive é muito bem criticado por Nick Land.
Provocação: e se o fascismo é o fim da história? Se o fascismo é a superação dialética do capitalismo e do comunismo pois é a crítica de ambos, então ele é o modelo ideológico mais avançado (dialeticamente falando). Caso não surja nenhuma ideologia nova para superá-lo, então o fascismo será o ponto final da história humana? E se todo o último século da humanidade foi apenas um vírgula depois de um logo? “ tal coisa aconteceu, tal coisa aconteceu, tal coisa aconteceu…. logo, fascismo”.
Quanto ao aceleracionismo de Nick Land ele (aparenta) negar o historicismo, um fim último da humanidade e acaba caindo no niilismo. O niilismo é um problema que será discutido em artigos futuros, não é hora de entrar nesse ponto agora.
3 - O aceleracionismo não consegue ordenar os desejos.
Há algo de verdadeiro na esquizoanálise de D&G e no aceleracionismo? Talvez o insight de que a humanidade é movida pelos desejos humanos, que tudo pode ter vindo do desejo humano. Entretanto, há um erro muito sutil nessa análise, que não é fácil de ver, mas que é óbvio quando é visto. É o seguinte detalhe, por eles ignorado:
Nem todo desejo é um bom desejo. Existem desejos ruins.
Um desejo para ser bom precisa estar ordenado, precisa estar direcionado, alinhado à retidão moral, cuja fonte é Deus.
Um exemplo prático é a questão do pecado da gula. Se alimentar é um desejo humano que todos temos todos os dias. Você pode direcionar esse desejo de um modo adequado ou direcionar ele para um modo inadequado. Se você direcionar de um modo adequado você terá, de um modo geral, saúde por muitos anos, o que é um bem. Mas, se você direcionar de um modo inadequado isso causará um prejuízo ao seu organismo, o que é um mal.
A mesma coisa vale para uma sociedade. Uma sociedade que ordene seus desejos tende a prosperar e viver bem. Enquanto que uma sociedade com desejos desordenados tende ao mau. Roubos, assassinatos, estupros… tudo é fruto de desejos desordenados.
Mas porque D&G e Nick Land não reconhecem o papel importante da ataraxia na ética humana? Cabe talvez especular. D&G talvez por considerarem o asceticismo como algo cristão e, por isso, algo que não deve ser levado a sério. Já Nick Land, por outro lado, parece não considerar o asceticismo por ter uma forte influência niilista.
De qualquer modo, não precisamos do aceleracionismo. Isso porque tanto na versão de D&G quanto na versão de Nick Land nada de bom pode vir daí, pois são sistemas que não levam em conta a necessidade do ordenamento dos desejos para o bem viver. O desejo para eles é um fim em si mesmo e não algo que possa ser negado em nome de um bem maior.
4 - O aceleracionismo é a esperança de um final feliz
Tanto no caso de D&G quanto no caso de Nick Land o aceleracionismo existe como, talvez, uma esperança de um final feliz. No caso de D&G o final feliz do aceleracionismo é o fim inevitável do capitalismo de uma maneira rápida. Você acelera as “contradições” para que elas derrubem o regime mais rápido e esse regime seja superado pelo regime “bom”, que é o comunismo.
Já no caso de Nick Land a aceleração ruma o nada (nowhere fast) e é vista como uma consequência lógica do ser humano. Por trás dessa ideia de Nick Land está a pressuposição filosófica de que seguir a lógica do ser humano é algo bom/desejável. Em muitos casos Nick Land parece desejar acelerar até que se alcance a velocidade de escape.
Velocidade de escape é quando um foguete acelera tanto que chega em um ponto que ele sai da órbita que ele está, é uma fuga do campo gravitacional de um planeta. No caso de Nick Land o objetivo parece ser acelerar até que o humano escape da sua humanidade, que seja substituído pela técnica. É por isso que há talvez um Q de transhumanismo dentro do niilismo de Nick Land.
Aí temos o otimismo de Land, você acelera por acelerar até que chega um ponto que o homem deixa de existir e passa a dar lugar para a técnica. Em muitos textos de Land aparece esse aspecto tecnofílico.
Infelizmente tanto para D&G quanto para Nick Land não é possível escapar da condição humana. Não é possível curar a humanidade de si mesma através da implantação do comunismo e também não é possível fugir de si mesmo acelerando sem parar. Ambos projetos são falhos.
4. Considerações Finais
Ao dirigir um carro… basta acelerar?
Talvez um bom argumento final contra o aceleracionismo é a metáfora do carro viajando. Ela segue mais ou menos do seguinte modo:
Imagine uma civilização como um carro andando em uma estrada. O foco do carro é se manter acelerando sempre? Evidentemente que não. Existem inúmeras outras prioridades para os condutores do carro. Pense sobre o que é dirigir um carro.
Um carro precisa constantemente se manter na pista, o que implica reduzir velocidade para fazer curvas.
Um carro precisa constantemente ter combustível, o que implica ter que parar o carro para abastecer.
Um carro precisa de manutenções nas peças, o que também vai implicar em parar.
Um carro precisa de alguém que saiba dirigir e, que essa pessoa tenha um destino.
Entende que não é só acelerar?
Ademais, não tem como um carro dirigir para um lugar impossível (comunismo) e também não tem como dirigir só acelerando sem rumo (niilismo). A própria ideia da palavra dirigir vem de ter uma direção. Essa direção, esse destino, é algo real (não utópico/niilista), não basta só acelerar.
Civilizações que progridem ao longo da história progridem devagar e sempre buscando um lugar real, acelerando quando possível e desacelerando quando não é possível acelerar mais. A regra de acelerar em D&G é sobre chegar rápido em um lugar impossível de ser alcançado, enquanto que para Nick Land acelerar é sobre chegar em lugar nenhum.
Ambas formas de pensar não interessam ao Brasil. O Brasil precisa de um direcionamento real. Ou seja, o Brasil não precisa de um destino utópico e nem um niilismo que vai acabar destruindo a sociedade.
Portanto, nós não precisamos de aceleracionismo e recomenda-se rejeitar esse tipo de ideia.
Existe algo de cínico no aceleracionismo?
Como reflexão final cabe o seguinte insight:
Seria o aceleracionismo uma forma de cinismo contemporâneo?
Será que os historiadores do futuro olharão para o aceleracionismo e o classificarão como uma forma de cinismo? De um certo modo, parece haver no aceleracionismo algo de cínico.
Para um aceleracionista, assim como um cínico, a limitação da vontade humana parece ser algo não desejável. Essa visão de mundo é reforçada por Nietzsche em sua crítica aos Ideias Ascéticos, na GMPIII.
Os cínicos pregavam que o humano tivesse como modelo ético um cão. É precisamente daí que vem a palavra cínico, de Kynikós (κυνικός), que significa canino.
Um cão tem uma vida simples, sem posses.
Um cão não tem vergonha (há controvérsias).
Um cão age seguindo a sua natureza canina.
Um cão não se importa com a opinião alheia.
Os cínicos eram contra convenções morais artificiais e por isso se masturbavam e defecavam em público, quando desejavam.
Já o aceleracionista vê o desejo humano como algo que não deve ser controlado. D&G não desejam o controle do desejo pois ele, se acentuado, levaria ao fim do capitalismo, e Land não deseja o controle do desejo pois para ele o desejo é o caracteriza o ser humano (antropologia).
Existe em muitos aceleracionistas grandes níveis de degeneração moral, racionalmente justificada pela base teórica aceleracionista. De um certo modo, parece haver um paralelo entre o cinismo e o aceleracionismo no que concerne a questão dos desejos humanos.
Quando a nossa opinião, os desejos devem ser controlados pois não são os desejos que caracterizam o ser humano, mas sim sua capacidade de pensar sobre eles e negá-los quando for o certo a ser feito. Esse certo a ser feito existe (realismo moral), e é estar em acordo com a vontade de Deus. Ou seja não é a vontade humana que deve ditar o agir humano, mas sim a vontade de Deus.
Para nós, a ideia de viver sem regrar os desejos não é uma vida humana correta, é uma vida humana que todos os dias condena pessoas ao sofrimento e ao inferno. Mas esse é assunto para outro episódio futuro… até a próxima.
A título de curiosidade D&G influenciaram bastante a filosofia brasileira da USP, tendo inclusive Félix Guatarri vindo ao Brasil diversas vezes. Deleuze, por outro lado, nunca veio ao Brasil pois ele tinha uma condição de saúde respiratória frágil e não podia fazer grandes viagens. Mas ambos são bastante lidos e fazem parte da colonização francesa da intelectualidade brasileira.
Você pode ler o texto aqui: http://www.ccru.net/swarm1/1_melt.htm










Moro num Bostil Bananal
Abandonado por Deus
E Intankavel por Natureza.
Sobre alemães e brasileiros gostarem de seu país ou não: faltou incluir os alemães que não gostam da Alemanha. Isso na verdade vale para qualquer pesquisa deste tipo, sobre qualquer país. A sua pesquisa foi mais ou menos assim: "excluindo os alemães que não gostam da Alemanha, quantos alemães gostam da Alemanha?" kkk
É o mesmo da lenda que diz que o "gaucho é uma identidade forte", sendo que metade vota na dobradinha Lula / Dávila e quer ver a outra metade na cadeia. Isso é amar o país? Na Alemanha, o sul católico odeia Berlim e tudo que ela representa. Olha o canal do Caio O Alemão, ele é alpino, é um choro eterno contra a Alemanha, mas é engraçado kkk Na verdade nem Berlim ama Berlim e tudo que ela representa.
Tem alemão que prefere mais o Sacro Império que a Alemanha, tem alemão que largou a Alemanha recente, tem líder alemã que deu chilique quando viu a bandeira da Alemanha em público porque prefere a UE (tem vídeo dessa cena no youtube) etc....
Estas identidades nacionais são passageiras.