O ataque das bestas selvagens! [MedievalMaxxing #6]
Apontamentos de como se defender das bestas selvagens que as vezes invadem o seu reino.
VERSÃO EM VÍDEO:
Introdução: a segurança do feudo
No episódio passado da nossa série MedievalMaxxing comentamos sobre a importância e os problemas que a borda do seu reino pode te trazer. Naquele episódio falamos sobre bruxas que habitam as fronteiras do seu reino, tentando entrar. Ressaltamos a importância da proteção espiritual para o seu reino e mostramos que a espiritualidade não é apenas um adorno, mas algo necessário ao rei medieval.
Hoje comentaremos sobre outro assunto que o rei deve se proteger. Nas florestas e nos campos também habitam animais ferozes, que são muito difíceis de lidar, que são as bestas selvagens.
Hoje em dia a vida no campo, próxima a natureza é bastante romantizada. Pensamos sobre viver bem longe das cidades e, em muitos casos, a sua qualidade de vida irá melhorar muito se você for embora delas mesmo.
Entretanto, no período medieval a vida fora do feudo era uma vida muito dura, muito difícil. Você poderia ser atacado por tribos bárbaras e bestas selvagens. Nesse sentido, o feudo e o castelo eram vistos como um bem, pois geravam a proteção necessária para o florescimento humano. Ou seja, se você pudesse viver em um feudo e você estivesse naquela época, provavelmente você racionalmente optaria por viver no feudo.
Você, como rei medieval, é responsável por se proteger das bestas selvagens e por proteger as pessoas que habitam o seu feudo. Você é também responsável por elas. Isso porque um rei não é rei só de si mesmo, ele é um rei para si e para o outro, e cabe a você exercer um papel ativo no trato das bestas selvagens que entram no seu reino.
Bestas selvagens: o que são.
Uma besta selvagem caracteriza-se por ser um animal irracional completamente dominado por impulsos primitivos e, justamente por isso, elas são muito perigosas ao seu reino.
Os impulsos primitivos irracionais geralmente estão atrelados a dois tipos de desejos bestiais: o desejo por reprodução e o desejo por alimentação. Esses dois instintos guiam e comandam as bestas selvagens.
É precisamente por isso que é bastante comum que músicas feitas para as bestas selvagens tenham esses dois gatilhos: sexo e alimentação.
Quando uma besta selvagem passa de Gol G2 rebaixado com uns rodão ouvindo uma música alta você pode cuidar e notar que essa besta geralmente está ouvindo uma música que tem quase sempre esses dois temas.
Bestas selvagens costumam ouvir músicas associadas a sair para beber, comer um churrasco e encontrar um parceiro para a cópula.
Outra temática bastante frequente da dinâmica das músicas associadas às bestas selvagens é que normalmente existe um tema frequente, associado à busca por sexo, que é a incapacidade das bestas selvagens manterem um relacionamento estável. São as músicas que retratam a dor de corno, de uma besta copular com outra besta e depois descobrir que está sendo traída.
Mas até aí tudo bem, porque nesses casos as bestas selvagens não são ameaças para você e nem o seu reino. O problema é quando elas são parte da sua vida: pense em um colega de trabalho.
Se imagine trabalhando em uma empresa tendo como vizinho de mesa uma besta selvagem.
Essa besta selvagem não age de um modo racional e só pensa e fala sobre dois assuntos: alimentos e sexo. Aqui você tem um problema.
Isso porque existe uma barreira linguística: o que você vai conseguir conversar com um animal assim?
Um rei medieval é um homem espiritual e racional, que está no controle de seus instintos, ou que, pelo menos na maioria das vezes, está tentando se controlar enquanto busca uma elevação espiritual, para se encontrar com Deus através das virtudes.
O que você poderia conversar com essas bestas selvagens? É difícil. Futebol talvez?
O problema de conversar sobre futebol é que as bestas selvagens costumam alterar o humor rapidamente e, uma piada que você fizer com o time dela pode causar rompantes de agressividade da besta com relação a você.
GRRRRRRR RAAAWWWRRRR
UGA BUGA FALOU DO MEU MENGÃO
GGGRRRAAAWWRRR
Essa mesma besta selvagem que ri fazendo piadas com o teu time tem excessos de fúria quando você faz uma piada com o time dela. Ou seja, as bestas não possuem comportamentos lógicos. Mas você sequer deveria esperar lógica das bestas selvagens afinal, se elas seguissem alguma lógica, não seriam bestas selvagens.
O rei e as bestas selvagens que invadem o reino
Entenda que você não vai conseguir manter um contato com bestas selvagens, pois você habita um outro mundo e é um outro tipo de ser: você não é uma besta selvagem, você é o rei do seu próprio reino.
Não importa o quanto você tente conviver bem com as bestas selvagens, você não vai conseguir.
Se você falar futebol elas se irritam com você.
Se você falar de algum assunto interessante, elas morrem de tédio…. e se irritam com você.
Se você é respeitoso com as pessoas do teu ambiente de trabalho, elas acham que você é muito “certinho”… e se irritam com você.
Se você não responde agressividade com agressividade, elas acham que você está errado pois o certo é “não levar desaforo para casa”… e se irritam com você.
É preciso que você entenda que todo e qualquer movimento feito próximo as bestas selvagens precisa ser pensado e controlado, pois, a qualquer momento, a besta pode ter um disparo de gatilho de raiva e se virar contra você rugindo.
Diante dessa situação, sua melhor chance de sobreviver é se inspirar na jornada de Orfeu, que acalmou o cão Cérbero ao tocar uma bela música com sua Lira. A versão moderna disso é deixar tocando João Bosco e Vinícios no seu celular enquanto trabalha, para acalmar a besta.
O rei e o chicote
Existem alguns casos onde você não tem muitas opções para lidar com as bestas selvagens.
Pense, por exemplo, se você trabalhasse em uma escola pública e o pai de um aluno vem até você enfurecido pois: “você teria dado nota baixa para o meu anjinho RAAWWWRRRR.”
Nesse tipo de situação não adianta você ligar João Bosco & Vinícius ou Fernando & Sorocaba, ou alguma interpretação bastante chorosa da Boate Azul. Nesse caso a besta selvagem já estourou e está correndo em sua direção: nessa situação, a sua única alternativa é o uso do chicote.
Um mero estalo de um chicote no ar é capaz interromper a crise de fúria da besta selvagem, fazendo ela parar e pensar duas vezes antes de seguir com o ataque. O chicote nesse caso, obviamente metafórico, é uma ameaça de que algo de ruim pode acontecer com a besta selvagem caso ela deseje prosseguir com o ataque. Não precisa ser algo necessariamente violento, pode ser um simples:
“O senhor sabe que desrespeitar um funcionário público no exercícios de suas funções é crime? Professor é funcionário público viu.”
As vezes isso já é suficiente para trazer a pessoa à realidade de que ela não deve meter o louco. Mas, por via de dúvidas, também é interessante fazer uso de uma cadeira. A cadeira metafórica poderia ser um:
“Para a segurança minha e do senhor eu vou gravar a nossa conversa, beleza?”
Ainda sobre o chicote é importante ter bem claro uma consideração filosófica bastante relevante: só porque você pode fazer o uso da força isso não significa que você deve fazer o uso da força.
O uso da força deve ser mediado pela racionalidade prática. Um rei medieval deve fazer o uso da força somente quando for necessário e em uma medida suficiente, sempre buscando a justiça.
Você não deve usar o chicote e a cadeira sempre que puder usar, você deve usar quando você precisar usar, e, quando você precisar usar, use-os de uma maneira suficiente para parar o ataque da besta selvagem.
Um rei que faz uso excessivo de força só porque ele quer usar a força, além de ser sádico, é um rei que prejudica o reino como um todo pois as bestas selvagens também fazer parte do reino.
Ou seja, o pai do aluno, no exemplo por nós relatado, talvez consiga ser uma boa pessoa se conseguir se acalmar. O brasileiro muitas vezes vive no limite do estresse e por isso as vezes age de um modo descontrolado e agressivo, mas disso não quer dizer que necessariamente ele é ruim.
O ato de você usar um chicote e uma cadeira as vezes em alguém não quer dizer que aquela pessoa é uma má pessoa, as vezes a pessoa só está descontrolada. Um estalo de chicote no ar pode resolver.
Adendo: linguagem corporal (threat display)
Outro ponto importante no trato com as bestas selvagens é a linguagem corporal. Isso porque o humano se comunica de um modo verbal e também não verbal. É importante você manter uma postura que passe aos outros, em um momento de crise, a impressão não verbal de que você é uma pessoa que elas não deveriam tentar mexer. Esse tipo de postura conhecido como exibição de ameaça (threat display) é bastante comum no reino animal. Existem inúmeros exemplos disso, como é o caso dos gorilas que, diante de um adversário, estufam o peito, ficam de pé e batem em si próprios para demonstrar sua força. Mas, essa regra vale inclusive para criaturas pequenas como é o caso dos gatos domésticos que, quando brabos, arqueiam as costas, eriçam os pelos e ficam de lado para parecerem maiores. Alguns gatos chegam até a ficar de pé nas patas trazeiras. Essa dinâmica de linguagem corporal é bastante importante no trato com as bestas selvagens mas é muito negligenciada. Quando foi a última vez que você ouviu alguém sobre esse assunto?
Considerações finais: o rei bestial
Por fim, é preciso chamar a atenção para uma última reflexão sobre a bestialidade. Última porém não menos importante. Até aqui falamos os problemas que os comportamentos bestiais podem causar e o que os caracterizam. Mas cabe aqui uma análise interna baseada na seguinte pergunta:
Como você sabe que você não é uma besta selvagem? E se você for um rei bestial?
Comumente ao analisarmos os defeitos dos outros acabamos por ignorar que esses defeitos podem estar em nós mesmos. Um exemplo bastante comum disso são bostileiros que olham para o povo e ficam dizendo que fulano de tal tem o QI muito baixo. Curiosamente, quem costuma dizer isso, é uma pessoa que comumente também tem um QI muito baixo.
As vezes o jovem zoomer bostileiro de QI baixo xinga o brasileiro trabalhador e reclama que o brasileiro normie não entendeu que “o futuro é glorioso” ou que “é inevitável” e todos os brasileiros que não pensam assim são burros, de QI baixo.
Parentesis.
(Mal sabe o Zoomer que a sua prepotência e arrogância está sendo usada para o manipular. Isso é feito por uma bolha de internet, que quer instrumentalizá-lo como ferramenta de mobilização política, que serve para a manutenção do status quo do poder das famílias dinásticas, da casta dos comerciantes bilionários com complexo de Deus, que bebem sangue humano, abusam crianças e odeiam Jesus Cristo com todas as suas forças, uma vez que eles sabem que a presença de Jesus Cristo expõe a mentira de suas falsas religiões, como é o caso do mitraísmo. Se pergunte quem está por trás de Curtis Yarvin e você perceberá que não há nada de mudança significativa que possa vir dali em termos reais. Só o que existe nesse movimento yarviniano é uma ressignificação simbólica para uma revolução leopardista que vai mudar tudo para que tudo permaneça como está. Mas enfim, não cabe aqui citar o elefante na sala que está por trás do MBL nesse momento. Talvez façamos isso em um outro episódio futuro.)
Como você sabe que você não é uma besta selvagem? As vezes achamos que estamos sendo reis honrados mas na verdade estamos agindo de um modo bestial. Uma besta selvagem quando age pensa que está agindo de um modo normal. Um leão, por exemplo, quando mata uma presa não está fazendo isso na maldade, está fazendo pois é assim que ele age. É “normal” para o leão agir assim.
Via de regra, toda besta selvagem não tem a consciência de que está se comportando errado, a pessoa pensa que está agindo normal. Do mesmo modo você como rei medieval, pode pensar que está agindo de um modo correto, mas você pode estar sendo um rei bestial sem saber.
Para você ser um rei medieval de verdade você precisa em muitos momentos dobrar-se para dentro de si mesmo (reflexão) para ver se o seu comportamento, se o seu modo de agir, não está errado. Essa reflexão é algo complexo e que abrange toda a sua vida. Esse artigo já está muito extenso então iremos citar dois exemplos só.
1 - O modo que você se alimenta, é o modo correto? Ou você se alimenta de um modo bestializado? Uma besta selvagem se alimenta empurrando alimentos de um modo rápido, compulsivo e até sem sentir o gosto - quase como se fosse um cachorro atacando um pote de comida ferozmente. Isso é um comportamento bestial de um rei acima do peso, um rei momo. Entenda que se você se alimenta bestialmente, arrotando e peidando enquanto devora ferozmente um xis bacon você é um rei bestial.
2 - Qual é a sua relação com a sexualidade? É uma relação saudável? Um rei não deve ficar sendo gado de mulher. Por mais que a betagem seja inevitável em alguns casos a vontade sexual nunca deve estar acima da sua racionalidade prática e o alinhamento para com o bom, o justo e o belo. Se você assiste pornografia todos os dias você é sim um rei bestializado. Porque você acha que o acesso a pornografia hoje é tão fácil e gratuito? Será que é porque é para o teu bem? Será que as pessoas que estão por trás dessa indústria querem o seu bem? Ou será que é mais um mecanismo de controle?
No fim das contas, cabe ao rei domesticar a sua besta interior e buscar controlar a si mesmo. É aí que talvez esteja o significado da aristocracia espiritual. Um rei é um aristós kratos quando ele supera sua condição de bestialidade e passa a agir de um modo correto. Modo correto, leia-se, de acordo com o bem, o belo e o justo que, no fim das contas, é um rei alinhado com o caminho da retidão, com a cidade de Deus. Domar a besta interior é, ao contrário do que Nietzsche pensava, algo muito bom e que realmente constrói civilizações e bons feudos. Cabe a você conseguir se dedicar, entendendo que as vezes você vai falhar, em buscar colocar Deus em primeiro lugar na sua vida. A realeza não se resume a sua riqueza, mas é algo além disso, é talvez uma predisposição e um desejo verdadeiro de elevação espiritual.
Você pode ser um CLT salário mínimo, que pega quatro horas de ônibus todos os dias para ir trabalhar e ainda assim ter o espírito real. E, se você tem o espírito real é só questão de tempo até você naturalmente ascender e ter o seu feudo, que será bom, belo e justo.
Agradecimento ao ouvinte:
Esse episódio foi um oferecimento desse ouvinte aqui, que deu mais ou menos a ideia para esse episódio, muito obrigado.
(nota mental: falar dos próximos episódios)










Faço uma recomendações do Homero sem saber, sou autônomo e não tem companheiros de trabalho mas muitas de minhas clientes são cleides, quando elas se exaltam na reclamação do serviço eu falo que ambiente está sendo filmado, elas olha para cima e vêem as câmeras e logo se tranquilizam.
Ótimo artigo Homero, achei que seria um artigo meio genérico sobre bestas e contos de animais lendários, mas você conseguiu trazer um artigo muito interessante dentro da série do Medievalmaxxing que já está virando um gênero ou estilo de escrita próprio e original.
Um abraço para você e sua família.